A redução nos preços de alimentos básicos, como batata, tomate e café, levou a uma queda da prévia da inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) em julho, trazendo alívio ao orçamento das famílias e refletindo diretamente no custo de vida de municípios da Região dos Inconfidentes, como Ouro Preto, Mariana e Itabirito, que utilizam os indicadores da capital como referência econômica.
Divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou deflação de 0,12% na Grande BH, o segundo menor índice entre as 11 regiões pesquisadas no país. No Brasil, a prévia da inflação ficou em 0,06% no mês.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 3,60% na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também o segundo menor percentual entre as áreas analisadas pelo IBGE, enquanto a média nacional chegou a 4,52%.
Alimentos puxam queda dos preços
O principal responsável pelo resultado foi o grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou retração de 1,21%, influenciando diretamente o índice geral da inflação.
Entre os produtos que mais contribuíram para a queda estão:
Batata inglesa: -20,03%;
Tomate: -20,79%;
Banana-prata: -11,68%;
Maçã: -8,62%;
Café moído: -4,66%.
Como esses produtos fazem parte da cesta de consumo das famílias e abastecem supermercados, feiras e comércios da Região dos Inconfidentes, a redução dos preços tende a ser percebida também pelos consumidores de municípios como Mariana, Ouro Preto, Itabirito e cidades vizinhas.
Além dos alimentos, o grupo Vestuário registrou queda de 0,65%, impulsionada principalmente pela redução de 0,79% no preço das roupas.
Mercado foi surpreendido
Para o economista e head de Renda Fixa da Suno, Guilherme Almeida, o resultado surpreendeu o mercado financeiro, que esperava uma inflação mais elevada diante das incertezas econômicas nacionais e internacionais.
Segundo ele, fatores como as oscilações do mercado internacional de petróleo, conflitos geopolíticos e a instabilidade econômica ainda pressionam os custos de produção e dificultam projeções para os próximos meses.
"O mercado não esperava uma desaceleração tão forte da inflação, principalmente porque ainda existem incertezas relacionadas aos combustíveis e ao cenário econômico internacional", explicou.
Queda é influenciada por fatores sazonais
Na avaliação do economista e conselheiro de política econômica Stefan D'Amato, o resultado positivo deve ser interpretado com cautela, pois decorre principalmente de fatores sazonais.
Segundo ele, o inverno favorece o aumento da oferta de hortifrutigranjeiros, ampliando a disponibilidade de produtos e reduzindo os preços após as altas registradas em meses anteriores.
Para o especialista, isso não significa necessariamente uma desaceleração permanente da inflação.
Energia elétrica continua pressionando o orçamento
Enquanto os alimentos ficaram mais baratos, alguns serviços essenciais continuaram pesando no bolso dos consumidores.
A energia elétrica residencial registrou alta de 1,37%, reflexo da vigência da bandeira tarifária amarela e do reajuste de 5,21% aplicado em Belo Horizonte desde o fim de maio.
Em contrapartida, o preço do gás de cozinha caiu 2,79%, amenizando parte da pressão sobre o orçamento doméstico.
Outro destaque foi o grupo Transportes, que apresentou alta de 0,51%, impulsionada principalmente pelo aumento de 13,60% nas passagens aéreas.
Cenário ainda inspira cautela
Apesar da desaceleração observada em julho, especialistas avaliam que ainda é cedo para afirmar que a inflação seguirá em trajetória de queda.
Segundo Guilherme Almeida, fatores externos, como a política tarifária dos Estados Unidos, conflitos internacionais e oscilações do mercado global, continuam influenciando diretamente a economia brasileira.
Já Stefan D'Amato ressalta que, embora o resultado seja positivo para consumidores da Grande BH e da Região dos Inconfidentes, o comportamento da inflação nos próximos meses dependerá da evolução do cenário macroeconômico, do preço da energia, dos combustíveis e das condições de oferta dos alimentos.
Para as famílias da região, a redução nos preços de itens essenciais representa um alívio temporário no custo de vida, mas economistas recomendam cautela, já que as incertezas econômicas ainda podem provocar novas oscilações ao longo do segundo semestre.
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