Mais de 56 milhões de brasileiros já foram vítimas de golpes digitais ou perderam dinheiro em fraudes virtuais, segundo levantamento do Instituto Datafolha encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número evidencia a dimensão do problema no país e coloca em pauta a necessidade de ampliar a proteção dos consumidores no ambiente digital.
O avanço das fraudes também alimenta uma discussão jurídica sobre a responsabilidade das empresas que coletam, armazenam e utilizam dados pessoais de seus clientes. Para especialistas, o acesso dos criminosos a informações legítimas das vítimas pode tornar os golpes mais convincentes e aumentar as chances de sucesso das abordagens.
Segundo o advogado Júlio César Ballerini, especialista em direito do consumidor e direito digital, a sofisticação das fraudes está diretamente relacionada ao uso de informações reais das vítimas.
“Os golpes estão cada vez mais sofisticados porque os criminosos utilizam informações verdadeiras das vítimas para criar uma falsa sensação de confiança. Muitas dessas informações podem ter origem em vazamentos de dados”, explica.
Dados pessoais viram ferramenta para criminosos
A utilização de informações como nome, telefone, endereço e outros dados pessoais permite que criminosos construam abordagens cada vez mais personalizadas. Com informações verdadeiras em mãos, as mensagens e ligações fraudulentas podem parecer legítimas, dificultando a identificação do golpe por parte da vítima.
Esse cenário amplia a preocupação com a segurança das bases de dados mantidas por empresas e instituições e coloca em evidência a necessidade de mecanismos eficientes de prevenção, proteção e resposta a incidentes envolvendo informações pessoais.
Responsabilidade entra no centro do debate
Além dos cuidados que devem ser adotados pelos consumidores, o crescimento das fraudes digitais levanta questionamentos sobre o papel das empresas na proteção dos dados que estão sob sua responsabilidade.
A discussão envolve situações em que informações de consumidores podem ser utilizadas por terceiros para a prática de golpes e busca estabelecer até que ponto empresas devem responder quando falhas de segurança contribuem para a exposição ou utilização indevida desses dados.
Para especialistas em direito digital e do consumidor, o cenário reforça a importância de investimentos em segurança da informação, proteção de dados e mecanismos de prevenção contra fraudes, especialmente diante da crescente sofisticação das estratégias utilizadas por criminosos.
O número de vítimas também revela que os golpes digitais deixaram de ser um problema restrito ao ambiente virtual e passaram a representar um desafio relevante para consumidores, empresas e autoridades, exigindo ações cada vez mais eficazes de prevenção e responsabilização.
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