Estudo do INTO reforça os impactos do tabagismo na recuperação cirúrgica e destaca a importância da cessação do cigarro antes dos procedimentos ortopédicos.
Pacientes fumantes submetidos à artroplastia primária de joelho — procedimento que substitui uma articulação desgastada por uma prótese — apresentam um risco cinco vezes maior de desenvolver complicações no pós-operatório em comparação aos não fumantes. O dado é resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), divulgada em referência ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
O estudo analisou mais de 600 pacientes atendidos no Centro de Cirurgia do Joelho do instituto e identificou uma forte relação entre o tabagismo e o aumento das reinternações após o procedimento cirúrgico.
A pesquisa foi desenvolvida pela enfermeira Ana Valéria Schulz, chefe substituta da Unidade de Enfermagem do Hospital-Dia do INTO, como parte de seu trabalho no Programa de Mestrado Profissional da instituição. O objetivo foi traçar o perfil clínico e epidemiológico dos pacientes e avaliar os principais fatores associados às complicações pós-operatórias.
Os resultados revelaram uma alta incidência de tabagismo entre pacientes que precisaram ser reinternados até 30 dias após a cirurgia para tratar problemas como dificuldade de cicatrização da ferida operatória e infecções relacionadas à prótese.
O levantamento também mostrou que cerca de 75% dos pacientes avaliados tinham mais de 64 anos e que 74% eram mulheres. Além disso, grande parte apresentava fatores de risco adicionais, como obesidade, hipertensão arterial e diabetes.
Informação como ferramenta de prevenção
Com base nos resultados da pesquisa, o INTO desenvolveu um material educativo voltado aos pacientes que se preparam para realizar a artroplastia de joelho. O conteúdo reúne informações sobre fatores de risco e orientações sobre os prejuízos causados pelo cigarro durante o processo de recuperação cirúrgica.
A proposta é fortalecer as ações de conscientização ainda no período pré-operatório, incentivando a redução ou interrupção do tabagismo antes da cirurgia.
Segundo Ana Valéria Schulz, apresentar dados concretos aos pacientes pode contribuir significativamente para a mudança de hábitos.
“Existe uma diferença entre simplesmente alertar sobre possíveis complicações e mostrar, com base em evidências científicas, que fumantes têm cinco vezes mais chances de desenvolver problemas após a cirurgia. Essa informação fortalece a conscientização e pode estimular a decisão de abandonar o cigarro”, explica a pesquisadora.
Próxima etapa prevê ferramenta para avaliação de riscos
A pesquisa segue avançando em nível de doutorado e deverá resultar no desenvolvimento de uma calculadora de risco cirúrgico. A ferramenta terá como objetivo identificar, ainda na fase pré-operatória, fatores modificáveis que podem aumentar a probabilidade de complicações, como tabagismo, obesidade e sedentarismo.
A expectativa é acompanhar pacientes por cerca de seis meses para avaliar se a mudança de hábitos antes da cirurgia pode reduzir significativamente os riscos e melhorar os resultados clínicos.
A futura ferramenta permitirá que equipes multiprofissionais adotem medidas preventivas mais eficazes, oferecendo acompanhamento individualizado aos pacientes considerados de maior risco e garantindo condições mais seguras para a realização do procedimento.
Saúde e qualidade de vida
Os resultados do estudo reforçam a importância do combate ao tabagismo não apenas para a prevenção de doenças cardiovasculares e respiratórias, mas também para a melhoria da recuperação cirúrgica e da qualidade de vida dos pacientes.
Ao evidenciar a relação direta entre o cigarro e as complicações pós-operatórias, a pesquisa destaca a necessidade de estratégias cada vez mais eficazes de orientação e acompanhamento, contribuindo para tratamentos mais seguros e melhores resultados na saúde dos brasileiros.
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