Parceria entre cidades Patrimônio da Humanidade amplia intercâmbio em cultura, educação, ciência e economia.
Na quarta-feira, 25 de março de 2026, será oficializado o acordo de Cidades Irmãs entre Ouro Preto (Brasil) e Rostov Veliky (Rússia), consolidando uma parceria internacional voltada à troca de experiências e ao desenvolvimento de projetos conjuntos nas áreas de cultura, educação, ciência, tecnologia e economia.
A cerimônia contará com a presença do primeiro-secretário da Embaixada da Rússia no Brasil, Aleksey Ivanachko, representando o governo russo. Para o prefeito Angelo Oswaldo, a iniciativa reforça o papel de Ouro Preto no cenário global.
“O diálogo com uma das mais admiradas cidades históricas da Rússia amplia a projeção internacional de Ouro Preto e valoriza tudo aquilo que faz da nossa cidade uma síntese do Brasil”, destacou.
Separadas por mais de 11 mil quilômetros, Ouro Preto e Rostov Veliky compartilham muito mais do que a distância sugere. Ambas são reconhecidas como Patrimônios da Humanidade pela UNESCO e se destacam como verdadeiras cidades-museu, guardiãs da memória, da cultura e da identidade de seus povos.
Mais do que destinos turísticos, os dois municípios foram palcos de momentos decisivos na história de seus países. Em Ouro Preto, então Vila Rica, o século XVIII foi marcado pela Inconfidência Mineira, movimento que simbolizou o início da luta por liberdade e pela construção da identidade nacional brasileira, com Tiradentes como figura central.
Já Rostov Veliky, uma das cidades mais antigas da Rússia, citada desde o ano de 862, teve papel fundamental na formação do Estado russo e na consolidação da Igreja Ortodoxa, sendo referência cultural e religiosa ao longo dos séculos.
A conexão entre as duas cidades também se revela na arte e no artesanato. Em Minas Gerais, a pedra-sabão ganhou forma nas mãos de Aleijadinho, tornando-se símbolo do barroco brasileiro. Em Rostov, a técnica da finifti — esmalte artístico sobre metal — expressa a precisão e a tradição da arte russa, elevando o artesanato ao patamar de patrimônio cultural.
Na arquitetura, o diálogo também é evidente. Ouro Preto encanta com suas igrejas barrocas, como São Francisco de Assis e a Matriz do Pilar, enquanto Rostov se destaca pelo imponente Kremlin e suas cúpulas características, marcando a espiritualidade da cultura eslava.
A literatura une ainda mais essas duas histórias. O poeta russo Alexandre Pushkin chegou a traduzir trechos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, obra emblemática do Arcadismo mineiro. O interesse de Pushkin pela produção brasileira reforça a conexão entre os dois povos, marcada pela capacidade de transformar experiências históricas e desafios em expressões artísticas duradouras.
Com a assinatura do acordo, Ouro Preto e Rostov Veliky fortalecem uma ponte cultural que ultrapassa fronteiras geográficas, reafirmando o papel da história, da arte e da cooperação internacional na construção de um futuro compartilhado.
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