“Causos Gerais” levou teatro de bonecos ao público da 3ª Mostra de Teatro Popular de Santa Luzia e une memória, cultura popular e educação ambiental.
A cultura e o imaginário mineiro ganharam espaço no palco durante a 3ª Mostra de Teatro Popular de Santa Luzia. Realizada entre os dias 2 e 6 de setembro, a programação reuniu espetáculos, oficinas e atividades gratuitas em diferentes espaços do município, aproximando crianças, jovens e adultos das artes cênicas.
Entre os destaques da edição esteve a estreia de “Causos Gerais”, novo espetáculo da Cia Lamparina, de Ouro Preto. A montagem de teatro de bonecos foi apresentada pela primeira vez durante o Circuito Escola da Mostra, levando para estudantes da rede pública histórias, personagens e elementos do imaginário popular de Minas Gerais.
A programação passou pelo Teatro Municipal Antônio Roberto de Almeida, Espaço Movimenta, Adro da Igreja Matriz e escolas públicas. A proposta foi ampliar o acesso à cultura e, ao mesmo tempo, formar novos públicos para o teatro.
Um dos principais eixos da iniciativa foi o Circuito Escola, que alcançou mais de mil estudantes de quatro instituições de ensino de Santa Luzia. Durante dois dias, crianças e adolescentes participaram de oficinas de prática musical, jogos teatrais e confecção de bonecos, além de acompanharem os espetáculos “Causos Gerais” e “Revolixão – O Mistério das Águas”, ambos da Cia Lamparina.
Três histórias que atravessam gerações
Em “Causos Gerais”, a linguagem do teatro de bonecos é utilizada para apresentar três histórias que dialogam com a memória, a cultura e as tradições de Minas Gerais.
Uma das narrativas revisita a história de amor entre Marília de Dirceu e Tomás Antônio Gonzaga, personagens ligados à literatura brasileira e à história de Vila Rica, atual Ouro Preto.
O espetáculo também apresenta a conhecida lenda da Mãe do Ouro, manifestação do imaginário popular que atravessa gerações e permanece presente nas histórias, crenças e mistérios de diferentes regiões mineiras.
A terceira narrativa aborda um tema contemporâneo: o consumo consciente da água. De forma lúdica, o espetáculo estimula a reflexão sobre a preservação dos recursos naturais e a responsabilidade coletiva na utilização da água.
Ao combinar história, cultura popular e educação ambiental, a montagem busca aproximar crianças e jovens de temas relevantes por meio de uma linguagem acessível, criativa e divertida.
Mostra reúne diferentes linguagens e públicos
Além da estreia da Cia Lamparina, a programação da Mostra apresentou diferentes formas de expressão artística.
O espetáculo “Maio, Antes que Você me Esqueça”, protagonizado por Ilvio Amaral e Maurício Canguçu, emocionou o público ao abordar questões relacionadas à memória, ao envelhecimento e às relações familiares.
Já a Cia Solares levou ao palco “Festa Estranha com Gente Esquisita”, uma experiência cênica que dialoga com liberdade, representatividade e diversidade.
O sábado contou ainda com apresentações de teatro de bonecos, caixas de lambe-lambe, o espetáculo “Revolixão” e uma noite de humor com os comediantes Rafael Mazzi e Joel Carvalho.
O encerramento ficou por conta de “Auto do Boi”, apresentado no Adro da Igreja Matriz, em uma celebração da cultura popular e das tradições do folclore brasileiro.
Cultura acessível e formação de público
A Mostra também incorporou recursos de acessibilidade à programação. As atividades contaram com intérprete de Libras e apostila com sinopses em braile, ampliando as possibilidades de participação do público.
A realização do evento e a estreia de “Causos Gerais” foram viabilizadas por uma rede de parcerias entre poder público, iniciativa privada e agentes culturais.
Cia Lamparina amplia trajetória com novo espetáculo
Com mais de uma década de atuação, a Cia Lamparina, de Ouro Preto, desenvolve projetos que articulam teatro, música, audiovisual e cultura popular. As produções da companhia dialogam com o imaginário coletivo, a preservação ambiental e a valorização das tradições e manifestações culturais brasileiras.
A estreia de “Causos Gerais” representa um novo passo nessa trajetória. Ao transformar histórias de Minas Gerais em teatro de bonecos, a companhia amplia o diálogo com novos públicos e cria uma ponte entre memória, educação, cultura popular e questões ambientais.
A apresentação em Santa Luzia também evidencia o papel dos projetos culturais na formação de espectadores, na circulação de artistas e na criação de novas produções, fortalecendo o acesso à arte e a preservação das histórias que fazem parte da identidade mineira.
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