Serviço oferecido pela Prefeitura desde 2018 assegura convivência familiar e comunitária a crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias de origem por determinação judicial.
Desde 2018, o município de Mariana conta com o Serviço de Família Acolhedora, iniciativa da Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência Social, voltada à proteção de crianças e adolescentes que precisam ser afastados temporariamente de suas famílias de origem por determinação judicial.
Em vez do acolhimento institucional, essas crianças e adolescentes podem ser recebidos na residência de famílias previamente cadastradas, avaliadas e capacitadas para exercer a função. O objetivo é oferecer um ambiente seguro, afetivo e estruturado durante o período em que os acolhidos permanecem afastados de seus familiares.
A medida é aplicada em situações nas quais são comprovados riscos à integridade física ou psicológica de crianças e adolescentes, como casos de violência, negligência, maus-tratos ou abandono. O acolhimento é temporário e pode durar até 18 meses, salvo situações excepcionais em que a Justiça determine a necessidade de permanência por período maior.
Durante esse processo, o serviço busca garantir cuidado individualizado, segurança, estabilidade emocional e convivência familiar e comunitária. A proposta também contribui para a interrupção de ciclos de violência e para a preservação dos vínculos familiares e comunitários sempre que possível.
Convivência familiar como instrumento de proteção
Além do acolhimento familiar, existe a modalidade institucional, popularmente conhecida como abrigo. No entanto, desde as alterações promovidas pela Lei Federal nº 12.010, de 2009, o acolhimento familiar passou a ser reconhecido como medida protetiva preferencial.
A convivência em um ambiente familiar durante o período de afastamento pode proporcionar às crianças e aos adolescentes uma rotina mais próxima da realidade doméstica, com a presença de adultos de referência e a construção de relações baseadas em confiança, segurança e afeto.
A experiência também permite que as necessidades individuais de cada acolhido sejam acompanhadas de maneira mais próxima, contribuindo para seu desenvolvimento integral enquanto são avaliados os caminhos para o retorno à família de origem ou, quando determinado pela Justiça, para a adoção.
Famílias que fazem a diferença
Em Mariana, o trabalho desenvolvido pelas famílias acolhedoras já representa uma importante rede de proteção para crianças e adolescentes. Para Tamires Cipriano, assistente social do serviço no município, a atuação vai muito além do acolhimento dentro de casa.
“É contribuir diariamente para garantir o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária nesses momentos de grandes tempestades que atravessam a vida dos acolhidos. É acompanhar famílias, orientar, fortalecer vínculos e construir caminhos para a proteção integral”, afirma.
Segundo a profissional, o serviço representa também uma oportunidade de contribuir para a transformação das trajetórias dos acolhidos. “Mais do que um serviço, é a oportunidade de transformar histórias, trilhando um futuro acolhedor, protetivo e seguro”, completa.
Acolher também transforma quem acolhe
Os relatos de pessoas que decidiram abrir as portas de suas casas demonstram que a experiência também provoca mudanças profundas na vida das próprias famílias acolhedoras.
Maria, nome fictício utilizado para preservar a identidade das crianças envolvidas, considera a experiência um privilégio. “Você coloca o interesse do outro em primeiro lugar e pode compartilhar amor com quem precisa”, relata.
Para ela, oferecer cuidado e atenção pode representar uma mudança significativa na trajetória de uma criança. “Muitas vezes, um gesto de acolhimento e atenção pode mudar o rumo da vida de uma criança e também enriquecer profundamente a vida de quem a acolhe”, destaca.
Eduarda, também nome fictício, define a experiência como um ato de solidariedade e ressalta os impactos positivos do período de convivência. “Poder acolher uma criança que precisa é amar sem medidas alguém que merece amor e cuidado”, afirma.
Quem pode ser uma Família Acolhedora?
Podem participar pessoas com mais de 21 anos, que não estejam inscritas na fila de adoção e que residam em Mariana há pelo menos dois anos.
O primeiro passo é preencher o formulário eletrônico de inscrição. Após o cadastro, os interessados participam de uma reunião informativa e, posteriormente, passam pelo processo de habilitação, que inclui encontros e atividades do percurso formativo.
As famílias habilitadas recebem acompanhamento durante todo o período de acolhimento. Também é disponibilizado um subsídio financeiro destinado ao atendimento das necessidades da criança ou do adolescente acolhido.
Como participar
Os interessados podem realizar a inscrição por meio do formulário eletrônico disponibilizado pelo Serviço de Família Acolhedora.
Para mais informações, o atendimento pode ser realizado pelo telefone (31) 99674-5133, pelo Instagram @familiaacolhedora.mariana ou presencialmente na sede do serviço, localizada na Rua Wenceslau Braz, 730, Centro, Mariana.
Mais do que oferecer uma casa temporária, o Serviço de Família Acolhedora busca garantir que crianças e adolescentes atravessem momentos de vulnerabilidade cercados de proteção, cuidado e afeto, preservando direitos e construindo caminhos para um futuro mais seguro.
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