Projeto de quatro anos produziu dados inéditos sobre aves e mamíferos, fortaleceu ações de conservação e contribuiu para a criação de quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em Minas Gerais.
Uma parceria entre a Samarco e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) ampliou o conhecimento científico sobre 22 espécies ameaçadas de extinção na Bacia do Rio Doce e contribuiu para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade em Minas Gerais.
Concluído em maio de 2026, o projeto “Conservação e manejo de espécies da fauna ameaçadas de extinção na bacia do rio Doce, Minas Gerais” teve duração de quatro anos e reuniu pesquisadores, estudantes e especialistas em conservação. A iniciativa integrou as ações de reparação ambiental da Samarco previstas no Novo Acordo do Rio Doce.
Os resultados foram apresentados durante a reunião de encerramento do projeto e incluem informações sobre a ocorrência e a distribuição de espécies de aves e mamíferos terrestres classificadas em diferentes níveis de ameaça de extinção.
Pesquisa foi dividida em três frentes
Coordenado pelo Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), da UFV, o trabalho foi estruturado em três eixos principais.
O primeiro concentrou as pesquisas e ações de conservação da fauna no Alto e Médio Rio Doce, incluindo o Parque Estadual Sete Salões e áreas do entorno.
A segunda frente foi dedicada à conservação dos saguis-da-serra (Callithrix aurita) e dos saguis-da-serra-escuros (Callithrix flaviceps), com atividades realizadas tanto em ambiente natural quanto em estruturas especializadas de manejo. O projeto também desenvolveu estratégias relacionadas ao controle de híbridos dessas espécies.
Já a terceira frente envolveu ciência cidadã, educação ambiental e ecoturismo, aproximando as comunidades das iniciativas de conservação e estimulando a participação da população na proteção da biodiversidade regional.
Dados podem orientar novas ações de conservação
Entre os resultados considerados relevantes está a produção de informações sobre a distribuição geográfica das espécies estudadas. Os dados formam uma base técnica que poderá subsidiar futuras iniciativas de monitoramento, manejo, resgate e conservação da fauna na Bacia do Rio Doce.
O projeto também contribuiu para o fortalecimento da infraestrutura do criadouro do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra, ampliando sua capacidade de receber e manejar primatas ameaçados.
Outro resultado foi a formação de profissionais especializados. Pesquisadores e estudantes de pós-graduação participaram das atividades, ampliando a capacitação na área de conservação da fauna.
Para Andressa Gatti, especialista do projeto pela Samarco, a iniciativa demonstra a contribuição da pesquisa científica para a proteção da biodiversidade.
“Os resultados alcançados mostram como o conhecimento científico pode contribuir diretamente para a proteção de espécies ameaçadas e para o planejamento de ações de conservação de longo prazo”, afirma.
Pesquisa também contribuiu para políticas públicas
Os resultados do projeto ultrapassaram o ambiente acadêmico. Informações produzidas pela UFV contribuíram para a mobilização das comunidades e para a aprovação de quatro leis municipais que reconheceram os saguis-da-serra como patrimônio da biodiversidade nos municípios de Itueta, Santa Rita do Itueto, Resplendor e Conselheiro Pena, em Minas Gerais.
Parte dos dados também passou a integrar oficialmente o Programa de Manejo Populacional dos Saguis, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O coordenador do CCSS e professor da UFV, Fabiano R. de Melo, destaca que os resultados demonstram a possibilidade de transformar conhecimento acadêmico em instrumentos para a conservação.
“Conseguimos transpor os muros da universidade e conectar a pesquisa pura à formulação de políticas públicas de conservação”, destaca.
Segundo o professor, o fortalecimento da estrutura de manejo e a identificação de áreas prioritárias para a conservação dos saguis-da-serra contribuem para criar uma base de informações voltada à proteção desses primatas.
Ciência como instrumento de conservação
A parceria entre a Samarco e a UFV reforça a importância da pesquisa científica na produção de informações para a gestão ambiental. Ao reunir conhecimento acadêmico, participação comunitária e ações de manejo, o projeto deixa uma base técnica que pode contribuir para estratégias de conservação de longo prazo na Bacia do Rio Doce.
Os resultados também evidenciam como estudos voltados à fauna ameaçada podem ultrapassar os limites da universidade e contribuir para políticas públicas, capacitação profissional e iniciativas de proteção da biodiversidade em Minas Gerais.
Fotos: Samarco / Divulgação