Especialista alerta que decisões estratégicas sobre o regime tributário e simulações de impacto devem ser feitas antes da entrada em vigor do novo sistema, prevista para 2027.
As empresas brasileiras têm até setembro para iniciar uma das etapas mais importantes de adaptação à reforma tributária. O período é considerado decisivo para que empresários revisem processos, avaliem impactos financeiros e simulem diferentes cenários antes da implementação dos novos tributos, prevista para janeiro de 2027.
O alerta é do economista e gerente de Indicadores e Estudos Econômicos da Omie, Felipe Beraldi, que apresentou um levantamento setorial apontando os segmentos mais expostos aos efeitos da transição para o novo modelo tributário.
Segundo Beraldi, setembro será um marco para as empresas optantes pelo Simples Nacional, que deverão decidir entre permanecer no regime tradicional ou aderir ao chamado Simples Nacional Híbrido. A escolha poderá influenciar diretamente a competitividade dos negócios nos próximos anos.
"A reforma sai do papel e chega à mesa de decisão dos empresários. Não é apenas uma mudança de impostos, mas uma mudança no modelo de negócios", destacou o economista.
Período de adaptação exige planejamento
Embora o novo sistema tributário seja implantado de forma gradual até 2033, Beraldi ressalta que o período de transição exige preparação imediata. A convivência entre o modelo atual e o novo sistema demandará mudanças operacionais, financeiras e estratégicas por parte das empresas.
Entre as principais recomendações estão o mapeamento da cadeia produtiva, a análise do perfil de clientes e fornecedores e a realização de simulações para identificar possíveis impactos sobre custos, preços e margens de lucro.
Mesmo sem a definição da alíquota final da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), o economista afirma que é possível construir projeções confiáveis.
"Dizer que não faz a conta porque não conhece a alíquota é uma muleta. É possível simular diferentes cenários e entender os impactos para o negócio", afirmou.
Setores mais vulneráveis
O estudo realizado pela Omie identificou que 36 dos 76 segmentos econômicos analisados apresentam elevada exposição durante a transição da reforma tributária.
Desses, 26 setores concentram maior risco de aumento da carga tributária efetiva, representando aproximadamente 2 milhões de empresas, cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e aproximadamente 10 milhões de empregos formais.
Entre as pequenas e médias empresas enquadradas no Simples Nacional, cerca de 1,1 milhão atuam nesses segmentos considerados mais vulneráveis.
Os setores com maior exposição incluem:
Serviços especializados para construção;
Transporte terrestre;
Tecnologia da informação;
Manutenção de máquinas e equipamentos;
Serviços financeiros;
Seguros.
De acordo com Beraldi, empresas desses segmentos poderão perder competitividade caso não compreendam como o novo sistema de créditos tributários influenciará a formação de preços e as relações comerciais com fornecedores e clientes.
Maioria ainda não iniciou a preparação
Apesar da proximidade das mudanças, um levantamento da Omie revela que grande parte do mercado ainda não iniciou o processo de adaptação.
Segundo a pesquisa, 48% das empresas ainda não realizaram qualquer análise sobre os impactos da reforma tributária ou estão apenas buscando informações sobre o tema. Quando consideradas aquelas que fizeram apenas avaliações preliminares, esse percentual sobe para 70%.
Para o economista, esse cenário acende um sinal de alerta para o setor empresarial, já que decisões estratégicas precisarão ser tomadas nos próximos meses.
Contabilidade e tecnologia ganham papel estratégico
Na avaliação de Felipe Beraldi, o sucesso da adaptação dependerá da atuação conjunta entre empresários, contadores e ferramentas de gestão capazes de organizar informações financeiras e tributárias com maior precisão.
Segundo ele, a reforma tributária vai muito além da escolha de um regime de tributação, exigindo planejamento estratégico para preservar a competitividade das empresas.
"A reforma tributária não é apenas uma decisão sobre regime tributário. É uma decisão de negócio", concluiu.
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