A Igreja Matriz de São Bartolomeu, localizada no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, foi oficialmente reaberta na última terça-feira (7), após um amplo processo de restauração arquitetônica e artística viabilizado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Fechado para celebrações desde 2019, o templo voltou a receber fiéis e visitantes em uma cerimônia marcada por missa solene, procissão e apresentação do Coral de Itabirito.
Construída em 1721, durante o período barroco, a igreja é considerada uma das mais antigas de Minas Gerais. O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde a década de 1960 e integra o conjunto histórico do distrito de São Bartolomeu, protegido pelo município de Ouro Preto desde 2007.
Investimento garantiu recuperação completa do templo
As obras foram executadas pelo Instituto Joaquim Artes e Ofícios, por meio do Programa Minas para Sempre, com recursos administrados pelo Semente, núcleo de incentivo a projetos sociais e ambientais do Ministério Público de Minas Gerais.
Ao todo, foram investidos aproximadamente R$ 7,6 milhões em três etapas. A primeira fase destinou cerca de R$ 1,58 milhão para obras emergenciais iniciadas em dezembro de 2022, com intervenções para conter infiltrações, recuperar a estabilidade estrutural e adequar os sistemas básicos da edificação.
Na sequência, foram aplicados cerca de R$ 2,78 milhões na restauração arquitetônica e mais R$ 3,27 milhões na recuperação e conservação dos bens artísticos e elementos integrados da igreja.
As intervenções também possibilitaram a preservação de peças históricas raras, entre elas um sino esculpido em madeira, localizado na torre esquerda do templo.
Imagens sacras retornam aos altares
Com a conclusão da restauração, a comunidade voltou a receber 11 imagens sacras restauradas pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop). Entre elas está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, do século XVIII, atribuída ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Também retornaram aos altares as imagens de São João Nepomuceno, Santa Efigênia, Sant’Ana, Nossa Senhora do Pilar, São Benedito, Nossa Senhora das Candeias, um Crucificado e um Divino Espírito Santo, todas pertencentes ao acervo histórico da igreja.
Recuperação resgata patrimônio e memória da comunidade
O processo de recuperação da Matriz teve início após o Ministério Público tomar conhecimento, em 2003, do avançado estado de deterioração da edificação. A ação do tempo e a ausência de intervenções adequadas comprometeram a estrutura do imóvel, exigindo uma mobilização conjunta da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), da Promotoria de Justiça de Ouro Preto e de diversos órgãos de preservação.
Antes da restauração, o Iphan precisou instalar coberturas provisórias para proteger o templo da chuva e dos ventos, enquanto a própria comunidade desligou a rede elétrica devido ao risco de incêndio. Havia ainda comprometimento estrutural em elementos de madeira, incluindo pilares deteriorados que colocavam em risco a estabilidade da igreja.
Patrimônio restaurado fortalece identidade cultural
Para o coordenador estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, promotor Marcelo Maffra, a entrega representa mais do que a recuperação física da igreja.
"A entrega da Igreja Matriz de São Bartolomeu restaurada representa não apenas a recuperação de sua estrutura física, mas também a valorização da memória, dos saberes construtivos tradicionais e das práticas culturais e religiosas."
A emoção também marcou os moradores da comunidade. Nascida e criada em São Bartolomeu, Custódia Serenice da Costa afirmou que a reabertura simbolizou a realização de um antigo sonho familiar.
"Senti uma emoção muito forte ao entrar na igreja renovada. Esse era o sonho da minha falecida mãe. Quando entrei, foi como realizar esse sonho por ela."
O pároco da Matriz, Harley Carlos de Carvalho Lima, destacou o significado da reabertura para a comunidade.
"A reabertura da igreja é um sinal de uma esperança que renasce. É também a renovação da comunidade para rezar, celebrar, viver sua história, sua cultura e sua fé."
Recursos têm origem em ações de combate à criminalidade
Os recursos destinados à restauração são provenientes de medidas compensatórias, ações de combate à lavagem de dinheiro e da recuperação de impostos sonegados pelo Ministério Público de Minas Gerais.
Segundo o MPMG, a recuperação da Igreja Matriz de São Bartolomeu integra o Programa Minas para Sempre, lançado em 2023. Em suas quatro fases, a iniciativa já destinou mais de R$ 68 milhões para a restauração de 56 bens culturais, distribuídos em 30 municípios mineiros, contribuindo para a preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural do estado.
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