A seleção brasileira entra em campo nesta quarta-feira (24) diante da Escócia com um objetivo duplo: assegurar a liderança do Grupo C da Copa do Mundo e, ao mesmo tempo, apresentar um desempenho mais convincente antes do início da fase eliminatória.
Desde que assumiu o comando técnico, Carlo Ancelotti tem sido questionado pela ausência de uma identidade clara da equipe. O treinador, no entanto, transformou as críticas em uma filosofia de trabalho, defendendo a construção de um time versátil e capaz de atuar de diferentes maneiras.
“Não quero uma identidade clara. Quero uma equipe que saiba fazer muitas coisas, que possa se adaptar às circunstâncias do jogo”, afirmou o treinador em entrevista.
Apesar do discurso, a seleção ainda busca maior equilíbrio entre suas diferentes propostas táticas. Em pouco mais de um ano de trabalho, Ancelotti experimentou formações e características distintas, mas ainda procura uma versão mais sólida e consistente do Brasil.
Desfalques e ajustes no ataque
Para o confronto contra a Escócia, o treinador terá mais um desafio pela frente. O atacante Raphinha está fora da partida devido a uma lesão na coxa direita e dificilmente estará à disposição nas próximas fases da competição.
A ausência do camisa 11 obriga a comissão técnica a buscar alternativas ofensivas. Entre as opções para a vaga estão Luiz Henrique, Gabriel Martinelli, Endrick e Igor Thiago.
Na estreia, o Brasil empatou em 1 a 1 com o Marrocos em uma atuação abaixo das expectativas. Na segunda rodada, a equipe reagiu e venceu o Haiti por 3 a 0, embora o desempenho tenha sido relativizado pela fragilidade do adversário.
Já Neymar, recuperado de uma lesão na panturrilha direita, está novamente à disposição, mas deve começar a partida no banco de reservas. O atacante de 34 anos foi integrado ao grupo apenas nesta semana e ainda não reúne condições físicas para atuar desde o início.
Liderança vale vantagem esportiva e logística
O Brasil e o Marrocos chegam à última rodada da fase de grupos empatados com quatro pontos, mas a seleção brasileira leva vantagem no saldo de gols.
Garantir a primeira colocação do grupo pode representar benefícios importantes. Além de enfrentar o segundo colocado do Grupo F nas oitavas de final, a equipe manteria sua base de treinamentos nos Estados Unidos, evitando uma mudança de logística para o México.
“Nosso primeiro objetivo é terminar em primeiro para dar sequência à campanha com a estrutura que já temos aqui”, afirmou Martinelli.
Escócia aposta na organização defensiva
Do outro lado, a Escócia chega à rodada decisiva sonhando com uma classificação histórica para a fase eliminatória. A equipe venceu o Haiti por 1 a 0 e perdeu pelo mesmo placar para o Marrocos, mantendo chances de avançar pela primeira vez às fases finais de uma Copa do Mundo.
O técnico Steve Clarke reconheceu a qualidade do adversário, mas destacou a confiança no desempenho de sua equipe.
“Todos crescem admirando o futebol do Brasil, mas agora precisamos amar ainda mais a Escócia”, afirmou.
Diante de um adversário que deve adotar uma postura defensiva, o Brasil terá mais uma oportunidade para mostrar que sua proposta de múltiplas identidades pode se transformar em uma equipe vencedora e convincente justamente no momento em que a Copa do Mundo entra em sua fase mais decisiva.
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