A definição da bandeira tarifária amarela para o mês de maio, anunciada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vai impactar diretamente o bolso dos consumidores brasileiros. A medida implica cobrança adicional de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos — um aumento que, embora considerado moderado, reacende o debate sobre a vulnerabilidade do sistema elétrico nacional.
Em resposta, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou orientações para o uso consciente da energia, com foco em mudanças de hábitos no cotidiano. A justificativa da Aneel para a adoção da bandeira está na redução das chuvas, típica da transição do período chuvoso para o seco, o que diminui a geração hidrelétrica e exige o acionamento de usinas termelétricas — fontes mais caras e poluentes.
Apesar das recomendações, especialistas apontam que o modelo transfere ao consumidor a responsabilidade por um problema estrutural. A forte dependência de hidrelétricas, aliada à necessidade recorrente de acionar térmicas em períodos de estiagem, evidencia a falta de diversificação e planejamento de longo prazo na matriz energética.
Segundo o engenheiro de eficiência energética da Cemig, Welhiton Adriano de Castro Silva, pequenas mudanças no dia a dia podem ajudar a conter os gastos. “O consumo depende da potência dos equipamentos e do tempo de uso. Ajustes simples na rotina podem evitar aumentos na conta ao fim do mês”, afirma.
Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias tem como objetivo sinalizar mensalmente ao consumidor o custo real da geração de energia no país. No entanto, na prática, a política tem sido alvo de críticas por onerar a população sem atacar diretamente os gargalos do setor.
Medidas individuais ajudam, mas não resolvem o problema
Entre as orientações divulgadas, a Cemig destaca o uso consciente de aparelhos domésticos, especialmente os de maior consumo:
Chuveiro elétrico: reduzir o tempo de banho e optar por temperaturas mais baixas pode gerar economia significativa. Em uma casa com quatro pessoas, o equipamento pode consumir cerca de 220 kWh por mês.
Geladeira: evitar abrir a porta com frequência e não armazenar alimentos quentes contribui para reduzir o consumo.
Eletrodomésticos: utilizar máquinas de lavar e ferros com carga máxima diminui a quantidade de ciclos.
Modo stand-by: aparelhos em espera continuam consumindo energia e devem ser desligados da tomada quando possível.
Eficiência energética: priorizar equipamentos com selo Procel A e substituir lâmpadas por modelos LED pode reduzir consideravelmente o consumo.
Embora as medidas possam amenizar o impacto no orçamento familiar, a adoção recorrente de bandeiras tarifárias mais caras evidencia um cenário em que fatores climáticos seguem determinando custos elevados — sem que haja, na mesma proporção, avanços estruturais capazes de garantir maior estabilidade e previsibilidade ao sistema elétrico brasileiro.
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