A precariedade do transporte intermunicipal voltou ao centro do debate na Câmara Municipal de Ouro Preto com a apresentação da Representação nº 73, de autoria da vereadora Lílian França. O documento solicita providências à Viação Pássaro Verde, ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito e ao Executivo municipal para viabilizar a inclusão do distrito de Amarantina nos itinerários entre Ouro Preto, Mariana e Belo Horizonte.
A proposta prevê a criação de ao menos dois horários diários que passem por dentro do distrito, atendendo uma demanda antiga da população. Segundo a vereadora, moradores enfrentam dificuldades constantes para acessar o transporte coletivo, sendo obrigados a se deslocar até pontos distantes para embarque — situação que gera custos extras, perda de tempo e insegurança, especialmente para idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores.
Além de cobrar providências, a representação questiona se os órgãos responsáveis têm conhecimento do problema, se existem estudos em andamento e solicita a realização de uma reunião com a empresa para discutir soluções.
Durante a discussão em plenário, o tom das críticas foi ampliado. Parlamentares relataram falhas recorrentes no serviço prestado pela concessionária, incluindo atrasos frequentes, más condições de higienização e ausência de itens básicos de conforto, como ar-condicionado. Também foram mencionadas dificuldades enfrentadas por usuários em outras localidades, como Cachoeira do Campo e no eixo com Itabirito.
Um dos pontos mais sensíveis levantados foi a interrupção de itinerários que anteriormente atendiam Amarantina. Com o crescimento populacional do distrito, a retirada dessas rotas agravou a situação, deixando moradores, em alguns casos, dependentes de deslocamentos a pé a partir da rodovia, inclusive no período noturno.
As críticas chegaram a colocar em xeque a qualidade e a continuidade do serviço prestado pela empresa na região, evidenciando um cenário de insatisfação generalizada entre usuários e representantes públicos. Diante disso, vereadores defenderam maior rigor na fiscalização e cobraram uma postura mais efetiva do Executivo na mediação do problema.
A representação foi aprovada por 14 votos e reforça a pressão política para que haja não apenas ajustes pontuais nos itinerários, mas uma revisão mais ampla das condições do transporte intermunicipal que atende a região.
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