A Câmara Municipal de Ouro Preto, durante a 17ª reunião ordinária realizada na terça-feira 7, foi palco de uma homenagem marcada por emoção e reconhecimento durante sessão alusiva ao Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril. O momento destacou os 35 anos de atuação do Projeto Sorria, atualmente Fundação Sorria, referência em ações de prevenção e promoção da saúde bucal no município.
A iniciativa foi lembrada como um exemplo de transformação social, especialmente entre crianças e adolescentes que, ao longo das décadas, passaram a ter acesso a atendimento odontológico e ações educativas antes inacessíveis para grande parte da população.
Durante a manifestação, foi ressaltado que o projeto nasceu com foco na prevenção, indo além do tratamento convencional. A proposta, idealizada pelo dentista Aloysio Drumont, buscou desde o início atuar na formação de hábitos saudáveis, ampliando o cuidado com a saúde bucal desde a infância.
Ao longo dos anos, a Fundação Sorria expandiu sua atuação e atualmente atende cerca de 5 mil pessoas, contando com dezenas de profissionais, voluntários e apoio de instituições públicas e privadas. O projeto acumula histórias de impacto direto na qualidade de vida da população, contribuindo para a autoestima e o bem-estar de milhares de famílias.
Relatos apresentados durante a sessão evidenciaram a realidade enfrentada por muitos estudantes antes da existência do projeto, com casos de crianças convivendo com dor e sem acesso a tratamento odontológico adequado. A atuação da iniciativa, nesse contexto, foi apontada como essencial para reduzir desigualdades e ampliar o acesso à saúde.
Apesar do reconhecimento, o debate também trouxe à tona uma questão recorrente: a dependência de projetos sociais para suprir lacunas do poder público. Embora a Fundação Sorria atue como parceira complementar, sua relevância expõe a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de saúde bucal, garantindo atendimento universal e contínuo.
O próprio idealizador do projeto destacou os desafios enfrentados ao longo da trajetória, desde a falta de compreensão inicial até a necessidade constante de captação de recursos e parcerias para manter as atividades. Atualmente, a iniciativa conta com apoio da Prefeitura, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), da iniciativa privada e de parlamentares, por meio de emendas.
Outro ponto enfatizado foi a importância da prevenção como estratégia central, com ações voltadas desde o período gestacional até a infância, buscando criar uma cultura de cuidado permanente com a saúde bucal.
A sessão também evidenciou o reconhecimento institucional ao trabalho desenvolvido, com vereadores destacando a importância do projeto para o município e reforçando o apoio da Câmara na manutenção das atividades.
Mesmo diante dos avanços, o cenário apresentado levanta um questionamento importante: até que ponto iniciativas como a Fundação Sorria devem assumir um papel que, em essência, é responsabilidade do Estado?
A homenagem, embora marcada por emoção e gratidão, reforçou uma realidade complexa — a de que projetos sociais seguem sendo fundamentais para garantir direitos básicos, enquanto a estrutura pública ainda enfrenta desafios para atender plenamente à população.
Ao final, o reconhecimento foi unânime: o legado da Fundação Sorria vai além da saúde bucal — representa dignidade, prevenção e transformação social. No entanto, o desafio permanece: transformar esse exemplo em política pública estruturada e permanente.
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