Vereadores pressionam empresas e destacam decreto municipal; população enfrenta riscos de acidentes e interrupções de energia.
A situação dos cabos de internet emaranhados junto à rede elétrica voltou ao centro do debate na Câmara de Ouro Preto. Por meio da Representação nº 46/2026, foi reiterado o pedido — já feito anteriormente na Representação nº 207/2025 — para que as empresas WFT Telecom e Valenet realizem, com urgência, a manutenção da fiação no distrito de Antônio Pereira.
O documento alerta para os riscos provocados pela mistura de cabos de telecomunicação com a rede elétrica, que pode resultar em acidentes, descargas elétricas e até interrupções no fornecimento de energia. “A situação representa um risco considerável à segurança da população local, podendo ocasionar acidentes e prejuízos aos serviços essenciais”, destaca o texto encaminhado às empresas.
Durante a discussão em plenário, os vereadores também ressaltaram que o problema vai além de Antônio Pereira e atinge diversos bairros e distritos do município.
Um dos parlamentares reforçou a gravidade da situação e cobrou o cumprimento do decreto municipal já publicado pelo prefeito Angelo Oswaldo. “Vou conversar com o secretário de Governo, Yuri Assunção, para que a gente possa fazer valer o decreto. Já se passaram mais de 30 dias e ele precisa sair do papel. Se é lei, tem que ser cumprida”, afirmou.
O vereador ainda alertou para os riscos à população: “Esses cabos passam nos postes da Cemig e podem entrar em contato com a fiação elétrica, causando descargas e colocando vidas em risco”.
O vereador Carlinhos também manifestou apoio à representação e destacou que o problema é generalizado. “Isso não atinge só Antônio Pereira ou o bairro Nossa Senhora do Carmo. Saramenha e outras regiões também sofrem com essa realidade. É uma dor de todo o município”, disse.
Ele ainda criticou a forma como as empresas atuam: “Muitas vezes fazem manutenção, mas não retiram os fios antigos. E quando retiram, deixam tudo jogado no chão, causando transtornos para pedestres”.
Já o presidente da Câmara, Vantuir, trouxe um ponto importante ao debate ao lembrar que o município já possui legislação específica sobre o tema. Segundo ele, a responsabilidade principal recai sobre a Cemig.
“Temos uma lei complementar aprovada desde 2024 e agora regulamentada por decreto. Em reuniões com órgãos competentes, ficou definido que quem deve ser notificada é a Cemig, pois ela comercializa o espaço nos postes para as empresas de telecomunicação”, explicou.
Ele reforçou que, caso as irregularidades persistam, a concessionária pode ser penalizada. “Se a empresa não cumpre, a responsabilidade é da Cemig. E, se a Cemig não agir, deve ser notificada e multada. Não é possível que em outros municípios funcione e aqui não”, afirmou.
Vantuir também fez um apelo à população: “É fundamental que os moradores denunciem e cobrem a prefeitura para que as notificações sejam feitas. Não adianta aprovar leis e elas não saírem do papel”.
O debate evidencia um problema que vai além da estética urbana. O excesso de fios inutilizados, mal instalados ou abandonados compromete a segurança, prejudica a mobilidade e afeta diretamente a qualidade de vida da população.
Agora, a expectativa é que, com a pressão do Legislativo e a aplicação efetiva do decreto, o município avance na organização da fiação e na responsabilização dos envolvidos, garantindo mais segurança e dignidade para moradores da sede e dos distritos.
Foto: Divulgação