A maior parte das famílias pretende economizar na volta às aulas de 2026 por meio do reaproveitamento de materiais escolares. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, oito em cada dez brasileiros com filhos em idade escolar afirmam que vão reutilizar itens do ano letivo anterior como estratégia para conter gastos.
O levantamento revela que 88% dos entrevistados sentem impacto direto das despesas escolares no orçamento familiar. Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, o comportamento indica um amadurecimento no planejamento financeiro. “A parte otimista é que esse movimento mostra mais planejamento do que desespero. As famílias estão ficando mais ‘profissionais’ em lidar com orçamento curto”, avalia.
Peso no orçamento
Os custos com o início do ano letivo continuam elevados e afetam principalmente famílias de menor renda. Entre os itens que mais pesam no bolso estão material escolar (89%), uniformes (73%) e livros didáticos (69%). Para 52% das famílias das classes D e E, o impacto financeiro é considerado muito grande. Já entre as classes A e B, esse percentual é de 32%.
A pesquisa também aponta que 84% dos entrevistados afirmam que os preços do material escolar interferem em outras despesas do mês, como lazer, alimentação e contas básicas. Diante de valores acima do esperado, dois em cada três consumidores optam por substituir o produto por marcas mais baratas.
Hábitos de compra
As lojas físicas seguem como principal canal de compra para 45% dos brasileiros, enquanto 39% pretendem combinar aquisições presenciais e online. Outros 16% planejam comprar a maior parte do material exclusivamente pela internet, refletindo um consumo cada vez mais híbrido.
A consultora de vendas Priscilla Pires, mãe de um adolescente de 13 anos, conta que começa a se organizar ainda em dezembro, separando parte do 13º salário e parcelando o restante no cartão. “O objetivo é equilibrar qualidade, orçamento e as vontades da criança, reaproveitando o que ainda está em bom estado”, afirma. Segundo ela, os livros didáticos são os itens que mais comprometem o planejamento financeiro.
Já a professora Priscila Alves prefere antecipar as compras. Antes do fim do ano, entra em contato com a escola do filho para solicitar a lista de materiais e garantir preços mais baixos. Mochila, estojo, lápis de cor e lancheira estão entre os itens reaproveitados. “Quando vira o ano, tudo fica mais caro. Comprando antes, consigo economizar”, relata.
Para manter o equilíbrio das contas, Priscila ainda complementa a renda com aulas particulares e pequenos serviços realizados em casa, prática que reflete a realidade de muitas famílias que buscam alternativas para enfrentar os custos da educação no início do ano letivo.
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