O projeto LALIA – Laboratório de Linguagens Afetivas: Restaurando Linguagens Afetivas com Homens que Cumprem a Lei Maria da Penha, desenvolvido pela artista, professora e arteterapeuta Andreia Donadon Leal, ex-aluna da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), está entre os vencedores do Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral de Proteção às Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar – edição 2026.
A iniciativa tem como proposta contribuir para o enfrentamento da violência de gênero por meio da reeducação de homens autores de violência doméstica, utilizando atividades de arteterapia e ações voltadas à reconstrução de linguagens afetivas e à reflexão sobre comportamentos relacionados à violência.
O projeto é desenvolvido em parceria entre a Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil em Mariana (ALACIB-Mariana) e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em Mariana, as atividades são realizadas na Casa de Cultura/Academia Marianense de Letras e na Comarca de Mariana.
Reeducação e transformação por meio da arte
A proposta do LALIA parte da utilização da arte como instrumento de reflexão e reeducação, buscando trabalhar aspectos relacionados às relações afetivas e à prevenção da reincidência de comportamentos violentos.
A coordenação reúne profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Além de Andreia Donadon Leal, integram a equipe o poeta e professor emérito da UFOP José Benedito Donadon Leal; a psicóloga e advogada Ludmilla Camilloto, professora da UFOP; o advogado Saulo Camêllo; e o historiador, mestrando da UFOP e artista visual Lucas Machado.
A atuação multidisciplinar reúne educação, arte, psicologia, direito e pesquisa, buscando ampliar as possibilidades de abordagem no processo de responsabilização e reeducação dos participantes.
Reconhecimento nacional
O Prêmio CNJ Juíza Viviane Vieira do Amaral tem como finalidade reconhecer e dar visibilidade a experiências, projetos, programas, ações, produções científicas e trabalhos acadêmicos que contribuam para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra mulheres e meninas.
A premiação também busca valorizar boas práticas, estimular soluções inovadoras e replicáveis e contribuir para o aprimoramento da resposta do Sistema de Justiça. O prêmio presta ainda homenagem à memória da juíza Viviane Vieira do Amaral, vítima de violência doméstica.
A edição de 2026 contempla seis categorias: tribunais; magistrados(as); atores do Sistema de Justiça Criminal, incluindo Ministério Público, Defensoria Pública, advocacia e servidores(as); organizações não governamentais; mídia; e produção acadêmica.
Cerimônia será realizada em Brasília
A solenidade de premiação está marcada para o dia 23 de outubro, na sede do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília.
O reconhecimento nacional coloca em evidência uma iniciativa desenvolvida em Mariana e reforça a importância de projetos que utilizam educação, arte e atuação multidisciplinar como instrumentos de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar.
Foto: Divulgação