A mineração de ferro em Mariana entra em uma nova fase. A Cedro Participações obteve, na última sexta-feira (25), as licenças de implantação e operação para ampliar sua unidade no município. A autorização foi aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e abre caminho para um projeto estimado em R$ 3,5 bilhões.
A expansão prevê um salto na capacidade de beneficiamento da unidade, que poderá passar das atuais 2,5 milhões de toneladas de minério bruto por ano para até 10 milhões de toneladas anuais. A produção de pellet feed poderá alcançar 5,5 milhões de toneladas por ano.
Além do aumento da produção, a empresa estima a geração de mais de mil empregos diretos e indiretos durante a implantação e operação do empreendimento. O projeto será executado de maneira gradual e possui vida útil estimada em até 20 anos, com possibilidade de extensão a partir de novas pesquisas e sondagens na área da jazida.
Minério de maior qualidade ganha espaço
A expansão terá como principal foco a produção de pellet feed high-grade, minério de ferro com alto teor e baixos níveis de impurezas.
O produto é utilizado na fabricação de pelotas de minério de ferro destinadas à produção de aço. Segundo a Cedro, essas pelotas podem ser empregadas na rota de redução direta, tecnologia que pode reduzir em até 50% as emissões de carbono em relação ao processo convencional baseado em alto-forno.
A estratégia acompanha uma transformação no mercado siderúrgico, que busca matérias-primas de maior qualidade para reduzir emissões nos processos de produção. A Cedro afirma que pretende aumentar gradualmente a participação do minério de alto teor em sua produção.
Rejeitos sem barragem e reaproveitamento de água
O projeto também prevê mudanças na gestão dos rejeitos e dos recursos hídricos.
De acordo com a empresa, os rejeitos serão submetidos a filtragem e empilhamento a seco, sem necessidade de disposição em barragens. A estrutura planejada prevê ainda o reaproveitamento de 85% da água utilizada nos processos de produção.
As medidas integram o conjunto de ações ambientais apresentado durante o processo de licenciamento do empreendimento.
Mariana poderá ampliar arrecadação
A Cedro avalia que a expansão permitirá um aproveitamento maior da jazida e deverá aumentar a movimentação econômica associada à atividade mineradora, além de ampliar a arrecadação de tributos e da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) para Mariana.
Para o presidente do Conselho de Administração da Cedro, José Carlos Martins, o projeto reúne expansão produtiva, geração de empregos e adoção de novas tecnologias.
“Este projeto combina a ampliação da nossa capacidade, a geração de mais empregos em Mariana e a adoção de tecnologias mais modernas. É um passo importante para a Cedro e para a mineração em Minas Gerais”, afirmou. A Cedro atua em Mariana desde 2022.
Expansão integra plano de 20 milhões de toneladas
O projeto de Mariana é parte de uma estratégia mais ampla da Cedro para atingir 20 milhões de toneladas de produção anual a partir de 2032.
Segundo a empresa, a meta poderá levar a companhia ao grupo das maiores produtoras de minério de ferro do Brasil.
O planejamento inclui ainda a construção do Porto do Meio, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, com investimento estimado em R$ 3,6 bilhões e capacidade prevista para movimentar até 15 milhões de toneladas de minério por ano.
O terminal deverá integrar a logística de escoamento da produção das minas de Minas Gerais para o mercado internacional.
Licenciamento levou quase três anos
A autorização para a expansão foi resultado de um processo de licenciamento ambiental que, segundo a Cedro, durou quase três anos.
Durante o período, foram realizados estudos sobre os meios físico, biótico e socioeconômico, consolidados no Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
Os estudos passaram por análise técnica do órgão ambiental antes de serem submetidos à avaliação do Copam.
O gerente-geral de Licenciamento Ambiental da Cedro Participações, Edinilson Barbosa, afirmou que o processo estabeleceu as medidas de controle, mitigação e compensação que deverão acompanhar as diferentes etapas do empreendimento.
“Esse estudo passou por análise técnica detalhada do órgão ambiental antes de ser levado ao Copam e define as medidas de controle, mitigação e compensação que vão acompanhar a implantação e a operação da mina”, afirmou.
Empresa informa investimentos sociais na região
Além dos investimentos diretamente relacionados à mineração, a Cedro informa manter programas sociais nos municípios onde atua.
Segundo a empresa, desde 2020, foram destinados mais de R$ 80 milhões a projetos de educação, saúde, cultura, esporte, inclusão social e infraestrutura em Mariana, Ouro Preto e Nova Lima.
Com a aprovação das licenças, a expansão da operação em Mariana avança para a fase de implantação, consolidando um dos maiores investimentos anunciados pela empresa para ampliar sua produção de minério de ferro em Minas Gerais.
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