Cerimônia ocorre no dia em que Juscelino Kubitschek completaria 99 anos e marca os 50 anos da morte do ex-presidente; 12 deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais estão entre os homenageados.
Diamantina, cidade natal de Juscelino Kubitschek, será palco, neste sábado (12), de uma das principais cerimônias de reconhecimento ao legado do estadista mineiro. A solenidade de entrega da Medalha Presidente Juscelino Kubitschek será realizada às 10h, no Largo Dom João, justamente na data em que o ex-presidente completaria 99 anos.
A edição deste ano ganha significado especial por ocorrer no ano em que são lembrados os 50 anos da morte de JK, ocorrida em 22 de agosto de 1976. A cerimônia reunirá autoridades e personalidades para homenagear pessoas e instituições que contribuíram de forma relevante para o desenvolvimento de Minas Gerais e do Brasil.
Entre os agraciados com a Medalha de Honra estão 12 parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O presidente da Assembleia, deputado Tadeu Leite (MDB), participará do dispositivo de honra e fará a entrega das condecorações aos deputados e deputadas homenageados.
Receberão a Medalha de Honra as deputadas Alê Portela (PL), Amanda Teixeira Dias (PL), Bella Gonçalves (PT), Carol Caram (Avante) e Marli Ribeiro, além dos deputados Adriano Alvarenga (PP), Caporezzo (PL), Delegado Christiano Xavier (PSD), Dr. Maurício (Novo), Eduardo Azevedo (PL), Leleco Pimentel (PT) e Luizinho (PT).
Uma homenagem que atravessa décadas
Criada pela Lei Estadual nº 11.902, de 1995, a Medalha Presidente Juscelino Kubitschek reconhece o mérito cívico de personalidades e entidades que prestam serviços de excepcional relevância à coletividade ou contribuem para o fortalecimento das instituições políticas e governamentais e para o desenvolvimento de Minas Gerais, de seus municípios ou do País.
Desde 1996, a cerimônia é realizada tradicionalmente em 12 de setembro, em Diamantina, reforçando a ligação entre a comenda e a trajetória do estadista nascido na cidade.
A honraria é concedida em dois graus: Grande Medalha e Medalha de Honra, conforme critérios estabelecidos pela legislação.
Programação reúne autoridades
A solenidade terá início com as Honras Militares, seguindo com a composição do dispositivo de honra e a execução do Hino Nacional.
Na sequência, serão entregues as medalhas aos homenageados, acompanhadas de uma apresentação musical. O encerramento contará com pronunciamentos do prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli, de um orador oficial e do governador de Minas Gerais, Matheus Simões (PSD).
JK e o projeto de desenvolvimento de Minas e do Brasil
Nascido em Diamantina, em 1902, Juscelino Kubitschek formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e iniciou sua trajetória política ocupando a Prefeitura de Belo Horizonte.
À frente da capital mineira, JK promoveu um amplo programa de obras e modernização urbana e estabeleceu uma parceria que se tornaria marcante com o arquiteto Oscar Niemeyer. Dessa aproximação nasceu o Complexo Arquitetônico da Pampulha, posteriormente reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Em 1951, foi eleito governador de Minas Gerais. Sua administração ficou marcada pelo projeto desenvolvimentista sintetizado no binômio “Energia e Transporte”. Entre as iniciativas do período esteve a criação da Cemig e a expansão da infraestrutura rodoviária, com o objetivo de integrar diferentes regiões do Estado e ampliar as condições para o crescimento econômico.
Eleito presidente da República em 1955, JK levou ao plano nacional a mesma visão desenvolvimentista. Seu governo ficou marcado pelo Plano de Metas, sintetizado pelo lema “50 anos em 5”, com investimentos em setores considerados estratégicos, como energia, transporte, indústria de base, alimentação e educação.
A construção de Brasília tornou-se o principal símbolo de seu projeto de modernização. A transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o Planalto Central representou um dos maiores empreendimentos de seu governo e reforçou a estratégia de interiorização do desenvolvimento nacional.
JK deixou a Presidência em 1961. Após o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados e passou anos fora do País. Retornou ao Brasil na década de 1970 e morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente automobilístico na Via Dutra.
A morte do ex-presidente permanece cercada de debates históricos e investigações, inclusive no âmbito dos trabalhos relacionados à Comissão Nacional da Verdade.
Cinco décadas depois de sua morte, Diamantina volta a reunir autoridades para celebrar a memória de um dos personagens mais marcantes da história política brasileira. A Medalha JK mantém, assim, o propósito de transformar o legado de desenvolvimento defendido pelo estadista em reconhecimento àqueles que continuam contribuindo para Minas Gerais e para o Brasil.
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