O handebol ocupa um capítulo importante na história esportiva de Ouro Preto. Ao longo das décadas, a modalidade conquistou espaço nas quadras do município graças à dedicação de profissionais e apaixonados pelo esporte que ajudaram a formar atletas e consolidar uma tradição que permanece viva.
Nesse contexto, a Prefeitura de Ouro Preto destaca o compromisso com o fortalecimento do esporte local, não apenas por meio do incentivo à prática esportiva, mas também pela valorização das histórias, dos personagens e das iniciativas que contribuíram para transformar a relação da comunidade com o esporte.
“Seu Chico” e as raízes do handebol em Ouro Preto
Embora o handebol tenha chegado ao Brasil na década de 1930 e ganhado maior projeção nacional a partir dos anos 1970, em Ouro Preto a modalidade desenvolveu características próprias a partir da atuação de importantes nomes do esporte local.
Entre eles está Francisco da Silva Barros, conhecido carinhosamente como “Seu Chico”, “Chico Barros” ou simplesmente “Barros”, considerado um dos principais precursores do handebol no município.
Nascido em Itaverava, em 1929, Francisco foi o primeiro dos seis filhos de Dona Francisca da Silva Barros e do Sr. Alcides Santana de Barros. Casado com Dona Maria da Conceição, foi pai de seis filhos e avô de seis netos.
Foi em Ouro Preto, entretanto, que construiu grande parte de sua trajetória pessoal e profissional. Formado em Educação Física e Letras, dedicou-se ao ensino e ao desenvolvimento esportivo da região, atuando em diferentes frentes e modalidades.
No Setor de Esportes da Associação Atlética Aluminas, exerceu as funções de diretor-presidente e técnico, contribuindo para projetar Ouro Preto no cenário esportivo estadual em modalidades como futebol, futsal, natação, judô, tênis e, especialmente, o handebol.
Sua atuação também se estendeu ao ambiente educacional. Francisco lecionou na antiga Escola de Artes, no SENAI, em escolas estaduais e na Escola Técnica de Ouro Preto, contribuindo para a formação de diferentes gerações.
Influências que ajudaram a fortalecer a modalidade
A história do handebol ouro-pretano também foi marcada pela presença do casal sueco Erland Gustafson e Dona Maggi.
Enquanto Dona Maggi, historiadora, registrava aspectos da história de Ouro Preto em livro, Erland atuava como técnico da equipe do ESAB. Seus treinamentos também chegaram às quadras da Associação Atlética Aluminas durante os finais de semana, contribuindo para o desenvolvimento da modalidade na cidade.
Essas experiências ajudaram a criar uma base para que o handebol conquistasse espaço entre atletas, estudantes e praticantes de diferentes gerações.
O legado chega às novas gerações
Décadas depois, a tradição construída por nomes como “Seu Chico” encontra continuidade em uma nova geração de profissionais.
Um dos responsáveis por manter essa história em movimento é Bruno Barros, neto de Seu Chico e professor responsável pelo projeto Mini-Handebol, iniciativa voltada à formação esportiva de crianças e adolescentes de Ouro Preto.
O projeto atende atualmente jovens de 9 a 14 anos e busca utilizar o esporte não apenas como ferramenta de desenvolvimento técnico, mas também como instrumento de convivência, cidadania e formação.
As atividades são realizadas às terças e quintas-feiras, das 13h30 às 15h, no Ouro Preto Tênis Clube (OPTC). Atualmente, o projeto conta com 22 alunos, com perspectiva de ampliação das turmas.
Além do aprendizado das técnicas do handebol, a iniciativa procura estimular hábitos saudáveis, disciplina, integração e valores que podem acompanhar os participantes para além das quadras.
Uma tradição que continua em movimento
A trajetória do handebol em Ouro Preto mostra como o esporte pode ultrapassar os limites da competição. Ao preservar histórias, aproximar gerações e criar oportunidades para crianças e adolescentes, a modalidade mantém uma relação construída ao longo de décadas com a comunidade.
Da atuação de “Seu Chico” às atividades conduzidas por Bruno Barros, o handebol segue encontrando novos caminhos para permanecer presente na vida esportiva da cidade.
Mais do que recordar o passado, preservar essa trajetória significa reconhecer o papel do esporte na formação de cidadãos e na construção de vínculos comunitários. Em Ouro Preto, a história do handebol continua sendo escrita dentro e fora das quadras, unindo tradição, memória e perspectivas para o futuro.
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