A Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria de Assistência Social, celebrou, na última sexta-feira (21), os sete anos de atuação do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). Com o tema “Sete anos promovendo direitos, cidadania e reconstrução de trajetórias”, o encontro foi realizado em alusão ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto.
A programação reuniu profissionais da assistência social, convidados e pessoas atendidas pelo serviço em um momento de reflexão, diálogo e apresentação das ações desenvolvidas pelo município. A iniciativa também reforçou a importância das políticas públicas voltadas à garantia de direitos, à inclusão social e à construção de novas perspectivas para pessoas em situação de rua.
Acolhimento como caminho para reconstruir trajetórias
Durante o evento, o coordenador da Unidade de Acolhimento Adulto, Wilton Ferreira, ressaltou a importância da participação dos profissionais da Secretaria de Assistência Social na construção de uma política pública cada vez mais humanizada.
Segundo ele, o envolvimento dos servidores demonstra que o enfrentamento da situação de rua depende de uma atuação coletiva e articulada.
“Isso é bom porque nós compreendemos que é através de cada um de nós que podemos fazer uma grande diferença dentro da nossa cidade, como já temos feito”, afirmou.
Wilton também destacou a atuação conjunta do Centro POP e do CREAS, serviços que acompanham pessoas em situação de vulnerabilidade e contribuem para a construção de caminhos que possam levar a uma vida com mais autonomia e dignidade.
Centro POP atua de forma integrada com diferentes serviços
Inserido na Proteção Social Especial de Média Complexidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o Centro POP atua no acompanhamento especializado de pessoas em situação de rua, buscando contribuir para a superação das vulnerabilidades e para a construção de novos projetos de vida.
O assistente social do serviço, Bruno Siqueira, explicou que esse trabalho depende da articulação permanente com diferentes setores da rede pública.
Entre os parceiros estão o CREAS, SINE, proteção social básica, Unidades Básicas de Saúde, UPA, Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), cartório, CadÚnico e unidades de acolhimento, além de articulações intersetoriais e intermunicipais.
Essa integração permite que as necessidades apresentadas por cada pessoa sejam analisadas de maneira mais ampla, considerando não apenas questões emergenciais, mas também documentação, saúde, trabalho, benefícios sociais, vínculos familiares e construção de autonomia.
Oficinas e atividades ampliam acesso à cultura e à convivência
O trabalho desenvolvido pelo Centro POP vai além dos encaminhamentos para serviços públicos. A unidade também oferece atividades destinadas ao fortalecimento de vínculos, à convivência e à ampliação do repertório cultural e social dos usuários.
Entre as iniciativas estão o Café com Prosa, grupo de conversa sobre temas relacionados à população em situação de rua; o Projeto Vozes da Rua, voltado à reflexão e à construção de novas trajetórias; e o projeto de extensão da UFOP “Discografia e Batalha das Ideias”, que promove oficinas de música e poesia.
Também fazem parte da programação o CinePOP, com exibição de filmes relacionados às experiências e trajetórias da população em situação de rua, e as Eduficinas, que abordam temas ligados à educação social, ambiental e profissional.
O Centro POP ainda promove atividades externas e passeios a espaços culturais e de conhecimento, como o Museu de Mariana, a Mina da Passagem e o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), ampliando o acesso dos usuários à cultura e à vida comunitária.
Serviço reconhece histórias e potencialidades individuais
A psicóloga do Centro POP, Daniela Morais, destacou que cada pessoa atendida possui uma trajetória própria e deve ser reconhecida para além da situação de vulnerabilidade.
“Cada pessoa é reconhecida na sua história de vida, nas suas potencialidades e como sujeito de direitos.”
Segundo a profissional, o serviço também cria um espaço de escuta e diálogo, no qual os usuários podem compartilhar experiências e reconstruir sua relação consigo mesmos e com a sociedade.
“É um espaço em que as pessoas podem falar sobre aquilo que atravessa suas vidas e, principalmente, se reconhecerem e serem reconhecidas”, explicou.
Perfil dos acolhimentos revela desafios sociais
Durante o encontro, foram apresentados dados referentes aos acolhimentos realizados pelo Centro POP em 2026.
Segundo os números apresentados, 87% das pessoas atendidas são homens. A faixa etária predominante está entre 40 e 55 anos, representando 55% dos acolhimentos.
Outro dado apresentado mostra que 60% dos acolhimentos foram destinados a pessoas negras, entre pretas e pardas.
Os indicadores ajudam a compreender o perfil da população acompanhada pelo serviço e contribuem para o planejamento de políticas públicas direcionadas às diferentes necessidades desse público.
Histórias de superação mostram impacto do atendimento
Um dos momentos mais marcantes da programação foi a exibição de um vídeo com histórias de pessoas atendidas pelo Centro POP, destacando experiências de luta, reconstrução e superação.
Entre os relatos esteve o de Kirmair Leandro, de 44 anos, que está em processo de superação da situação de rua. Para ele, o atendimento oferecido pelo serviço teve papel fundamental em sua trajetória.
“Se não fosse o Centro POP, não sei o que seria de mim. Eu estava praticamente no fundo do poço, e o Centro POP me reergueu de novo”, relatou.
Também acompanhado pelas políticas de assistência social, Júlio César, de 45 anos, descreveu o Centro POP como uma referência de acolhimento e apoio.
“É uma coisa de magnitude boa, uma coisa em que você pode almoçar, jantar, conversar com algum colega, dormir, fazer alguma atividade, se tiver. Isso tudo inclui o Centro POP.”
Para ele, a importância do serviço ultrapassa o atendimento básico. “O Centro POP não é só o Centro POP, é uma mãe para aqueles que precisam”, afirmou.
Debate amplia discussão sobre direitos e políticas públicas
A programação também contou com o painel “População em Situação de Rua: Direitos, Políticas Públicas e Desafios Contemporâneos”.
A atividade reuniu convidados que estudam e acompanham a temática e aprofundou as discussões sobre dados, aspectos históricos e fatores estruturais relacionados à população em situação de rua.
O debate reforçou a necessidade de políticas públicas articuladas e permanentes para enfrentar as diferentes causas da vulnerabilidade social, além de ampliar a garantia de direitos e o acesso aos serviços públicos.
Direito à cidade também passa pelo reconhecimento
Ao avaliar o trabalho desenvolvido pelo Centro POP, Daniela Morais ressaltou que falar sobre população em situação de rua significa reconhecer pessoas, histórias e direitos.
“Falar da população em situação de rua é falar de pessoas que têm história, têm voz, têm potencialidades e têm direito à cidade.”
Para a psicóloga, o papel do serviço é construir caminhos conjuntamente com os usuários, respeitando suas histórias e possibilidades.
“O nosso trabalho é também construir, junto com elas, caminhos para que esse pertencimento seja vivido e reconhecido.”
Centro POP oferece atendimento especializado em Mariana
O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecido como Centro POP, é uma unidade socioassistencial municipal destinada ao atendimento especializado de pessoas em situação de rua e migrantes.
O trabalho é desenvolvido a partir da escuta qualificada, considerando as necessidades individuais e as trajetórias de cada pessoa, além dos contextos familiar, social, histórico, econômico e cultural.
A unidade acompanha os usuários na construção de planos individuais ou familiares, buscando apoiar processos de autonomia e superação da situação de rua.
Entre os serviços oferecidos estão orientação especializada, alimentação, materiais de higiene, apoio para obtenção de documentação e acesso a benefícios, espaço para armazenamento de pertences e distribuição de roupas, cobertores e outros itens obtidos por meio de doações.
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