O município de Ouro Preto promove, ao longo do mês de maio, a programação especial do Mês das Bordadeiras e Rendeiras, iniciativa voltada à valorização de um dos saberes tradicionais mais representativos da cultura local. O ofício das bordadeiras e rendeiras é reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do município desde 2019.
A programação faz referência ao Dia do Bordado, celebrado em 23 de maio e instituído pela Lei Municipal nº 1.478/2024. As atividades incluem exposições, oficinas, seminários, apresentações públicas e feira de comercialização, reunindo artesãs, pesquisadores, moradores e visitantes em torno da preservação e difusão desse patrimônio cultural.
Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, por meio da Diretoria de Pesquisa e Difusão do Patrimônio Cultural (PROPAT), o evento conta com gestão e execução do Serviço Interprofissional de Atendimento à Mulher, apoio da Prefeitura de Ouro Preto e recursos do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural (FUNPATRI).
Segundo a organização, as ações buscam ampliar a visibilidade do bordado e da renda como expressões culturais vivas, além de incentivar a transmissão dos conhecimentos tradicionais entre gerações e fortalecer a economia criativa ligada ao artesanato local.
Exposição destaca memória e identidade cultural das artesãs
A abertura da programação aconteceu na terça-feira (13), com a exposição “Fios de Ouro”, instalada no Museu Casa dos Contos, na Sala Vicente Vieira da Mota. A mostra ficará aberta à visitação até o dia 23 de maio.
A exposição reúne peças produzidas por artesãs de diferentes localidades do município e propõe uma reflexão sobre o bordado e a renda como formas de memória, identidade e expressão cultural.
De acordo com a curadoria, as obras apresentadas traduzem elementos da história, da arquitetura, das festas e das tradições de Ouro Preto, revelando o fazer manual como uma linguagem construída ao longo das gerações por mulheres responsáveis pela preservação desse saber tradicional.
Oficinas e seminário integram programação
Entre as atividades previstas está a oficina “Agu-Linha”, que será realizada no dia 16 de maio, das 13h às 16h, também no Museu Casa dos Contos. A atividade será conduzida pela artesã Maria Joana e terá como foco o aprendizado da técnica da Renda Abrolhos.
A oficina abordará desde os materiais e pontos característicos da renda até orientações sobre acabamento e conservação das peças. Além da prática artesanal, a proposta busca incentivar a troca de experiências e fortalecer o reconhecimento do bordado e da renda como patrimônio cultural e possibilidade de geração de renda.
Já no dia 22 de maio, a programação segue com o Seminário de A(linha)mento e a entrega do Selo de Identidade Visual do Ofício de Bordadeiras e Rendeiras de Ouro Preto, na Casa do Professor.
Feira e prática coletiva encerram celebrações
O encerramento acontece no dia 23 de maio, com a realização da Borda-Feira, feira de comercialização de bordados e rendas produzidos por artesãs locais, no Largo do Cinema, das 9h às 16h.
No mesmo dia, será promovida a atividade “Agulhaço”, oficina e prática coletiva de bordados e rendas realizada no espaço público, das 14h às 16h.
A proposta da ação é transformar o bordado em um ato coletivo de convivência, ocupação cultural e fortalecimento dos vínculos comunitários, além de reafirmar a importância do ofício para a memória e identidade cultural de Ouro Preto.
Durante a atividade, participantes receberão kits com materiais para produção das peças, incluindo ecobag, linhas, agulhas, risco e tesoura. As inscrições para as oficinas e atividades podem ser realizadas pelos formulários disponibilizados pela organização do evento.
Foto: Cartaz / Divulgação