Durante 22ª reunião ordinária, Thamasin Tonks Feregati defende inclusão de jovens e povos originários no debate ambiental.
Durante a 22ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Ouro Preto, realizada no dia 28 de abril, o orador Thamasin Tonks Feregati apresentou um discurso que articulou meio ambiente, saúde e pertencimento, propondo a ampliação do debate sobre os direitos da natureza no município.
Sem o uso de recursos visuais, apesar da realização prévia de audiências públicas sobre o tema, o orador conduziu sua fala a partir de uma narrativa simbólica. Ele convidou os presentes a imaginarem uma experiência vivida com crianças e jovens do Morro Santana no Parque das Andorinhas, onde atividades educativas envolveram o contato direto com a natureza e a produção de tintas a partir da terra local.
O resultado da experiência foi transformado em uma exposição artística intitulada “Aie” — termo que remete à ideia de “terra” — apresentada no Museu Casa dos Contos. Segundo o relato, mais do que as obras expostas, o processo evidenciou transformações profundas na percepção dos jovens sobre o meio ambiente.
Um dos momentos destacados foi a fala de uma adolescente que, ao observar o rio, o reconheceu como “parente”. A afirmação foi utilizada como ponto de reflexão sobre o distanciamento da sociedade contemporânea em relação à natureza, historicamente entendida como parte integrante da existência humana.
O discurso também associou essa desconexão a impactos na saúde física e mental, defendendo que o debate ambiental deve ser compreendido como uma questão de saúde pública e de existência. Nesse contexto, foram mencionadas referências simbólicas do território, como o Pico do Itacolomi e o Rio das Velhas, reforçando a ideia de pertencimento entre população e natureza.
Outro ponto abordado foi a presença e resistência de povos originários no território, frequentemente invisibilizados, mas apontados como “guardiões da natureza”. A fala destacou a necessidade de incluir essas comunidades, além de jovens, nos espaços institucionais de debate, como a própria Câmara.
Como encaminhamento, Thamasin Tonks Feregati propôs a criação de audiências públicas mensais voltadas aos direitos da natureza, com sugestão de realização na primeira quinta-feira de cada mês. A iniciativa busca abrir espaço para que diferentes atores sociais participem da construção de políticas públicas e, futuramente, de uma legislação que reconheça a natureza como sujeito de direitos — conceito já adotado em países como o Equador.
O pronunciamento também mencionou a realização de um fórum nacional sobre o tema em Ouro Preto e Mariana ainda este ano, reforçando a relevância local do debate.
Ao final, o orador defendeu que a natureza não demanda mais do que o reconhecimento de sua existência e que a sociedade precisa retomar essa compreensão como base para a construção de políticas públicas mais integradas e sustentáveis.
Por Cassiano Aguilar
Foto: Divulgação