Predominantes em mulheres, condições autoimunes desafiam a medicina e expõem a urgência de exames mais precisos e integrados.
Demora, frustração e incerteza ainda fazem parte da rotina de milhões de pessoas que convivem com doenças autoimunes — condições em que o próprio sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do corpo. Lúpus, artrite reumatoide, doença celíaca e tireoidite de Hashimoto estão entre os exemplos mais conhecidos. Apesar dos avanços da medicina, o tempo médio para chegar a um diagnóstico definitivo ainda gira em torno de quatro anos, geralmente após a consulta com diferentes especialistas.
O cenário se torna ainda mais complexo quando se observa o perfil dos pacientes: cerca de 80% dos diagnósticos de doenças autoimunes ocorrem em mulheres, proporção que desperta a atenção da comunidade científica para possíveis influências hormonais, genéticas e imunológicas. Além disso, estudos indicam que aproximadamente um quarto dos pacientes diagnosticados com uma doença autoimune apresenta risco aumentado de desenvolver uma segunda condição do mesmo grupo, fenômeno conhecido como poliautoimunidade.
Fatores ambientais também entram nessa equação. Exposição a infecções virais, poluentes, estresse crônico e hábitos alimentares inadequados são apontados como gatilhos para o surgimento ou agravamento dessas doenças. A combinação desses elementos ajuda a explicar o aumento global dos diagnósticos e reforça a necessidade de uma abordagem médica mais ampla, integrada e personalizada.
Sintomas vagos dificultam o caminho
Um dos principais entraves para o diagnóstico precoce está na natureza dos sintomas. Fadiga persistente, dores articulares, alterações hormonais, distúrbios gastrointestinais e oscilações de humor são sinais comuns, mas pouco específicos. “Os sintomas iniciais costumam ser confundidos com outras condições clínicas. Quando mais de uma doença autoimune está presente, o desafio do diagnóstico se multiplica”, explica a gastroenterologista Danielle Kiatkoski, diretora científica do Instituto Brasileiro para Estudos sobre a Doença Celíaca (IBREDOC).
Muitas dessas enfermidades compartilham mecanismos imunológicos semelhantes e produzem autoanticorpos parecidos, o que exige exames laboratoriais de alta precisão para diferenciar cada condição. A ausência de um diagnóstico claro, por longos períodos, também cobra um preço emocional elevado. Pesquisas mostram maior incidência de ansiedade, depressão e queda significativa na qualidade de vida entre esses pacientes, especialmente quando a fadiga e a dor interferem no trabalho e nas atividades cotidianas.
Tecnologia como aliada
Diante desse cenário, a ciência tem avançado no desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais sofisticadas. Já estão disponíveis no Brasil plataformas automatizadas capazes de identificar múltiplos autoanticorpos com alta sensibilidade e especificidade, auxiliando médicos na distinção entre doenças com manifestações clínicas semelhantes.
“Essas tecnologias permitem uma avaliação mais objetiva e integrada, encurtando de forma significativa a jornada do paciente até o diagnóstico e possibilitando o início mais rápido do tratamento adequado”, destaca Danielle Kiatkoski.
Segundo Aline Oliveira, gerente de Produto em Autoimunidade da Thermo Fisher Scientific para a América Latina, o uso dessas plataformas oferece informações clínicas decisivas para o manejo das doenças autoimunes. “Com o avanço das tecnologias diagnósticas, é possível reduzir o tempo de espera por respostas. Nosso compromisso é apoiar a comunidade médica e tornar o cuidado mais eficiente e humano”, conclui.
Enquanto a ciência avança, especialistas reforçam: reconhecer os sintomas precocemente, investir em exames de qualidade e promover uma visão integrada do paciente são passos fundamentais para transformar um percurso hoje marcado pela demora em um caminho mais rápido, preciso e acolhedor.
Foto: Divulgação