Mesmo com retração no preço internacional do minério de ferro, arrecadação cresce em 2025; AMIG alerta municípios para planejamento e diversificação econômica.
A queda no preço internacional do minério de ferro ao longo de 2025 não impediu o avanço da arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). A valorização do dólar frente ao real funcionou como um fator de equilíbrio, amortecendo os efeitos da retração do mercado e mantendo a receita dos municípios mineradores em patamar superior ao registrado em 2024.
O comparativo entre as cotações do minério de ferro com teor de 62% entre janeiro e novembro de 2024 e 2025 aponta uma redução média de 8,4% no valor da tonelada. O movimento reflete um cenário internacional mais cauteloso, influenciado principalmente pelo ritmo de crescimento da China e por ajustes na demanda global por commodities minerais.
Em contrapartida, no mesmo período, o dólar apresentou valorização média de 5,6%, fator que teve impacto direto na arrecadação da CFEM. Com a comercialização do minério atrelada à moeda norte-americana, o câmbio favorável ajudou a compensar a queda nos preços internacionais e a preservar as receitas destinadas aos municípios mineradores e àqueles afetados pela atividade mineral.
Segundo a consultora econômica da AMIG Brasil, Luciana Mourão, o comportamento do câmbio foi determinante para o desempenho da arrecadação em 2025. “Mesmo com a queda expressiva do preço médio do minério de ferro ao longo do ano, a valorização do dólar contribuiu para reduzir o impacto negativo sobre a arrecadação da CFEM, ajudando a preservar receitas importantes para os municípios mineradores”, avalia.
Como resultado desse cenário, a arrecadação nacional da CFEM entre janeiro e novembro de 2025 atingiu R$ 7,1 bilhões, superando os R$ 6,8 bilhões arrecadados no mesmo período de 2024. O desempenho indica que a combinação entre câmbio favorável e níveis de produção mais elevados foi decisiva para o crescimento da receita, mesmo diante da queda no preço do minério de ferro.
Apesar do resultado positivo, a AMIG Brasil reforça a necessidade de cautela por parte dos gestores públicos. Para Luciana Mourão, a dependência da CFEM torna os municípios altamente sensíveis às oscilações do mercado internacional e do câmbio. “É fundamental planejar o uso desses recursos, fortalecer a gestão pública e investir na diversificação econômica, para reduzir a vulnerabilidade das administrações locais”, destaca.
A expectativa é que o boletim econômico de janeiro de 2026 traga uma análise mais aprofundada do desempenho do setor ao longo de 2025, com avaliação de tendências, riscos e perspectivas para o próximo ano, oferecendo subsídios estratégicos para os municípios mineradores e afetados pela atividade mineral.
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