Mariana sediou, na última sexta-feira (3) e sábado (4), o Encontro da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais (ACHMG), que reuniu representantes dos municípios associados no Cineteatro Mariana para discutir os desafios da preservação do patrimônio cultural diante da extinção gradual do ICMS Cultural, prevista no processo de implementação da Reforma Tributária.
O ICMS Cultural é um mecanismo de incentivo fiscal que destina parte da arrecadação estadual aos municípios que desenvolvem políticas de preservação e valorização do patrimônio histórico e cultural. Com a transição para o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), iniciada em 2026, o modelo passará por mudanças progressivas, com redução das alíquotas entre 2029 e 2032, cenário que preocupa especialmente as cidades históricas, que dependem desses recursos para a conservação de seus bens culturais.
Ao longo do encontro, gestores públicos, especialistas e representantes do setor turístico discutiram alternativas para garantir a sustentabilidade financeira das políticas de preservação, além de debater estratégias voltadas ao fortalecimento do turismo como atividade econômica capaz de impulsionar o desenvolvimento das cidades históricas mineiras.
A programação foi aberta com uma apresentação da Cômica Cia de Teatro, que celebrou duas décadas de atuação com uma adaptação dos poemas Ismália e A Catedral. Antes da cerimônia, um cortejo cultural percorreu o trajeto entre o Museu de Mariana e o Cineteatro, conduzido pela Charrete Turística e pelo grupo Barroco Jazz, proporcionando aos participantes uma imersão na riqueza histórica e artística do município.
O primeiro dia foi encerrado com um concerto no órgão histórico Arp Schnitger, na Catedral da Sé, seguido por uma intervenção cênica nas ruas do Centro Histórico, resgatando manifestações tradicionais da cultura marianense, como a Lenda da Noiva de Furquim e a Procissão das Almas.
Além das discussões sobre os impactos da Reforma Tributária, o encontro promoveu debates sobre afroturismo, turismo de vivência e políticas públicas voltadas às Cidades Patrimônio da Humanidade.
Durante duas mesas temáticas, realizadas na sexta-feira e no sábado, Mariana apresentou experiências exitosas na preservação do patrimônio, destacando as obras de restauração em andamento e as ações da marca Visit Mariana, criada para promover os atrativos turísticos do município e fortalecer sua imagem como destino cultural.
A presidente da Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (FECITUR-MG), Teresa Lemos, ressaltou que o encontro representa um importante espaço para discutir o futuro do turismo no estado. Segundo ela, diante das mudanças provocadas pela Reforma Tributária, o turismo tende a assumir papel ainda mais estratégico na economia das cidades históricas.
"O turismo é o que vai trazer o desenvolvimento para essas cidades, e os Circuitos Turísticos têm um papel muito importante nisso", afirmou.
No segundo dia de programação, a FECITUR-MG promoveu um painel com representantes dos circuitos turísticos do Ouro, Diamantes, Trilha dos Inconfidentes e Nascente do Rio Doce, que apresentaram experiências e projetos voltados ao fortalecimento da infraestrutura turística e à valorização dos destinos mineiros.
O evento também ofereceu uma extensa programação cultural, com o espetáculo Bonecas do Jequitinhonha, da Fundação Clóvis Salgado, exposição de artesanato, roda de capoeira, apresentação do Coral Canarinhos de Santana e concerto da Sociedade Musical São Sebastião, de Passagem de Mariana, reforçando a integração entre patrimônio, cultura e turismo.
Promovido pela Prefeitura de Mariana, por meio da Secretaria de Patrimônio Cultural e Turismo, em parceria com a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, o encontro integra o calendário anual da entidade e complementa as reuniões técnicas realizadas trimestralmente para fortalecer a articulação entre os municípios dedicados à preservação do patrimônio histórico, cultural e arquitetônico de Minas Gerais.
Atualmente, a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais reúne cerca de 50 municípios, entre eles Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Diamantina, Tiradentes, São João del-Rei, Sabará, Santa Luzia, Catas Altas, Itabirito, Barbacena, Caeté, Lagoa Santa, Nova Lima, Serro, São Thomé das Letras, Paracatu, Itabira e outras cidades que compartilham o compromisso com a preservação da memória e da identidade cultural mineira.
Foto: Divulgação