Minas Gerais encerrou março de 2026 com saldo positivo de 38.845 empregos com carteira assinada, alcançando o segundo maior volume de geração de vagas do país, atrás apenas de São Paulo. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram compilados pelo Sebrae Minas.
O resultado representa um crescimento de 59,74% em relação a fevereiro deste ano e um avanço de 111% na comparação com março de 2025, quando o estado registrou saldo de 18.405 empregos formais.
As micro e pequenas empresas (MPEs) lideraram a geração de empregos no estado, sendo responsáveis por 20.535 vagas, o equivalente a 52,86% do saldo total. Já as médias e grandes empresas responderam por 17.884 postos de trabalho, enquanto a administração pública contribuiu com 427 vagas.
O setor de serviços foi o principal motor da geração de empregos em Minas Gerais, com 17,5 mil novos postos de trabalho, representando cerca de 45% de todo o saldo estadual. Entre as atividades de destaque está a gestão de recursos humanos para terceiros, responsável pela criação de mais de 3,2 mil vagas.
A agropecuária também apresentou desempenho expressivo, com saldo positivo de 9.783 empregos. O resultado foi impulsionado principalmente pelo cultivo de alho, que gerou cerca de 1,8 mil vagas, além do crescimento em atividades ligadas à produção de sementes, horticultura e café.
A construção civil e a indústria também registraram crescimento no período. A construção civil fechou março com saldo de 3.849 vagas, impulsionada principalmente por obras de infraestrutura, como construção de rodovias e ferrovias. Já a indústria criou 3.492 empregos, refletindo a retomada da produção e a estabilização dos custos de insumos.
O comércio também apresentou recuperação no mês, encerrando março com saldo positivo de 3.767 postos de trabalho.
Jovens lideram admissões
O levantamento mostra que os jovens continuam sendo os principais beneficiados pelas contratações formais em Minas Gerais. Entre as admissões realizadas pelas micro e pequenas empresas, 45,5% foram de trabalhadores entre 18 e 24 anos.
Além disso, 66,8% dos contratados possuem ensino médio completo, e os homens representaram a maior parte do saldo de empregos gerados em março.
O salário médio de admissão no estado foi de R$ 2.106, enquanto o salário médio de desligamento ficou em R$ 2.147,70, diferença negativa de R$ 41,70. O cenário acompanha a tendência observada nacionalmente.
Perspectivas para os próximos meses
Segundo a analista do Sebrae Minas, Bárbara Castro, apesar do desempenho robusto registrado no primeiro trimestre, o mercado deve enfrentar maior seletividade nos próximos meses.
A avaliação aponta que fatores como juros elevados, inflação persistente e restrições no crédito podem impactar principalmente setores ligados ao consumo e pequenos empreendimentos, exigindo atenção ao nível de inadimplência das famílias e ao poder de compra da população.
Criado em 1965, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é o principal instrumento de monitoramento do mercado formal de trabalho no país e atualmente utiliza dados enviados pelas empresas por meio do sistema eSocial.
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