Estado registra segunda alta consecutiva acima da média nacional enquanto especialistas alertam para impacto da inflação, juros e endividamento no orçamento das famílias.
A inadimplência no pagamento de aluguéis em Minas Gerais voltou a crescer e acendeu um sinal de alerta para o mercado imobiliário e para milhares de famílias que enfrentam dificuldades para manter as contas em dia. Dados do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), divulgado pela Superlógica, mostram que a taxa no estado chegou a 3,30% em março de 2026, contra 3,04% registrados em fevereiro.
O aumento de 0,26 ponto percentual representa a segunda alta consecutiva no estado. Na comparação com março de 2025, quando o índice era de 2,75%, o crescimento acumulado foi de 0,55 ponto percentual. O resultado também ficou acima da média nacional, que encerrou o período em 3,21%.
Embora o Sudeste tenha apresentado uma leve redução regional na inadimplência — passando de 3,28% para 3,14% — Minas Gerais seguiu na contramão e registrou agravamento nos atrasos dos pagamentos.
Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o cenário reflete diretamente a deterioração da capacidade financeira das famílias brasileiras.
“O atraso dos pagamentos reflete a pressão econômica que impacta diretamente a capacidade de manter compromissos financeiros, como o aluguel. Qualquer aumento na inflação e nos juros pode agravar ainda mais essa situação e elevar o endividamento familiar nos próximos meses”, afirmou.
O levantamento também revela um dado preocupante: os imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1 mil continuam concentrando os maiores índices de inadimplência do país. Mesmo com uma leve queda em março, a taxa permaneceu elevada, em 5,98%.
Na avaliação da Superlógica, a situação evidencia a dificuldade crescente enfrentada pela população de menor renda, que precisa equilibrar gastos essenciais, como alimentação, transporte e moradia, em meio ao aumento do custo de vida.
“Essa faixa de renda tem sofrido mais para honrar o custo básico de vida. A inflação pesa mais justamente sobre despesas essenciais, comprometendo diretamente a capacidade de pagamento do aluguel”, explicou Gonçalves.
O executivo também mencionou que pesquisas recentes apontam impactos do crescimento das apostas digitais sobre o orçamento de famílias de baixa renda, agravando ainda mais o quadro de endividamento.
No ranking nacional, o Nordeste liderou a inadimplência em março, com taxa de 4,77%, seguido pela região Norte, com 4,29%. O Centro-Oeste apareceu em terceiro lugar, com 3,17%. Já o Sul registrou o menor índice do país, com 2,77%.
Entre os imóveis comerciais, a inadimplência segue ainda mais elevada. Na região Sudeste, a taxa chegou a 4,28%, apesar de uma leve redução em relação ao mês anterior. Imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil lideraram os atrasos em nível nacional, com índice de 7,41%.
Os dados reforçam um cenário de pressão econômica persistente, no qual famílias e pequenos empreendedores enfrentam dificuldades crescentes para manter despesas básicas em dia, enquanto o mercado imobiliário acompanha com preocupação a evolução dos índices nos próximos meses.
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