A Prefeitura de Mariana divulgou o boletim epidemiológico referente aos meses de janeiro, fevereiro e março, com dados das notificações realizadas pela Vigilância em Saúde. Apesar de apresentar o panorama sanitário do município, os números evidenciam variações preocupantes em alguns agravos e reforçam a necessidade de respostas mais eficazes por parte do poder público.
Os registros são alimentados por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) em um banco de dados dinâmico, que reúne notificações obrigatórias e orienta as estratégias de enfrentamento. No entanto, a leitura dos dados do primeiro trimestre aponta desafios persistentes, especialmente no controle de doenças respiratórias, infecções sexualmente transmissíveis e casos de violência.
Em janeiro, foram contabilizadas 143 notificações, com destaque para 20 casos de violência interpessoal/autoprovocada e 15 registros de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Também chamam atenção os 39 atendimentos antirrábicos e 14 casos de intoxicação exógena.
Fevereiro apresentou leve redução no total de notificações, com 127 casos. Ainda assim, houve aumento significativo nos acidentes por animais peçonhentos, que saltaram para 18 registros, além da manutenção de números relevantes em ISTs e violência, com 12 casos notificados.
Já em março, o cenário se agrava, com 167 notificações — o maior número do trimestre. O crescimento expressivo dos casos de COVID-19, que passaram de 7 em fevereiro para 30 em março, acende um alerta para a vigilância epidemiológica. Também houve aumento nas ISTs (19 casos) e nos registros de sífilis adquirida (18). A violência interpessoal/autoprovocada segue em patamar elevado, com 15 notificações no mês.
Embora a divulgação dos dados represente um instrumento importante de transparência, especialistas apontam que a recorrência de determinados agravos indica fragilidades nas ações preventivas e na articulação das políticas públicas de saúde. A persistência de casos evitáveis, como intoxicações, ISTs e violência, evidencia a necessidade de investimentos contínuos em educação em saúde, acompanhamento social e ampliação do acesso aos serviços.
A prefeitura afirma que o boletim integra um processo contínuo de monitoramento e fortalecimento das ações de vigilância. No entanto, diante dos números, cresce a cobrança por medidas mais efetivas que vão além do diagnóstico e consigam impactar diretamente a realidade da população.
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