Mais de 60 mil mineiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) já contam com um instrumento importante para garantir inclusão, segurança e acesso a direitos no cotidiano. Desde 2021, foram emitidas 60.731 Carteiras de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), alcançando cidadãos em 830 municípios de Minas Gerais.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), e tem como objetivo reduzir burocracias e facilitar o reconhecimento das necessidades das pessoas com autismo em diferentes serviços.
Em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, a pequena Clara Matos, que completou 7 anos nesta semana, é um exemplo do impacto da medida. A mãe, Katariny Matos, conta que a família aderiu à carteira em 2022 e percebeu avanços no acesso a atendimentos e serviços.
Segundo ela, o documento facilita o cotidiano da família. “Com a Ciptea, não precisamos apresentar laudos médicos a todo momento. O atendimento da minha filha fica mais rápido e respeitoso. A própria Clara já apresenta a carteira em parques, serviços públicos e até em viagens”, relata.
A carteira reúne informações essenciais da pessoa com TEA, como dados pessoais, contato de emergência e, quando necessário, informações do responsável ou cuidador. No último ano, o documento também passou a incluir o Código Internacional de Doenças (CID), o que torna a identificação ainda mais ágil em atendimentos públicos e privados.
Capacitação para atendimento humanizado
Além da emissão do documento, o Estado também tem investido em formação de profissionais da segurança pública para garantir um atendimento mais adequado às pessoas com autismo.
Na quarta-feira (11), foi realizada, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, a capacitação “Atendimento Humanizado a Pessoas com TEA”, que reuniu profissionais da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, Sistema Socioeducativo e Polícia Federal.
Durante o encontro, foram discutidos aspectos neurológicos, comportamentais e sociais relacionados ao autismo, além de orientações sobre abordagens mais sensíveis e respeitosas em situações de atendimento.
O guarda civil Eduardo dos Santos, de Sabará, que também está no espectro autista, destacou a importância da iniciativa para o trabalho das forças de segurança. “Essa capacitação fortalece o trabalho com crianças e adolescentes com TEA. Como sou autista, muitas crianças se identificam comigo e isso ajuda na construção de confiança”, afirmou.
A assessora técnica da Sedese e mãe atípica Priscilla Roldão ressaltou que o treinamento é fundamental para transformar a legislação em prática efetiva. “Esses profissionais precisam estar preparados. Só com conhecimento e sensibilização conseguimos promover inclusão de verdade”, destacou.
Como solicitar a carteira
A Ciptea pode ser solicitada de forma simples pelo aplicativo MG App, pelo portal cidadao.mg ou presencialmente nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs).
Emitido em formato digital, o documento funciona como uma importante ferramenta de inclusão e cidadania, garantindo que pessoas com autismo tenham seus direitos reconhecidos e respeitados em diferentes espaços da sociedade.
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