O Carnaval de Ouro Preto mais uma vez confirmou sua grandiosidade e tradição, consolidando-se como um dos maiores de Minas Gerais e figurando entre os mais emblemáticos do país. Entre casarões coloniais e igrejas centenárias, a maior festa popular da cidade tomou conta das ladeiras com irreverência, cultura e identidade.
Neste ano, a celebração trouxe uma homenagem especial a Sinhá Olímpia, personagem marcante e curiosa da história ouro-pretana. Figura folclórica conhecida por circular pelas ruas com roupas coloridas, chapéus enfeitados com flores, bijuterias exuberantes e um cajado ornamentado com tiras de papel colorido, ela era presença constante no cotidiano da cidade, quase sempre com um cigarro na boca e muitas histórias para contar.
Sinhá Olímpia percorria as ladeiras narrando vivências, “causos” e memórias, tornando-se parte viva do imaginário popular. Sua autenticidade atravessou gerações e ganhou reconhecimento nacional ao ser mencionada por Rita Lee como a primeira hippie brasileira, um símbolo de liberdade e expressão muito antes de seu tempo.
Em 2026, quase 60 blocos de rua desfilaram pelas ladeiras históricas, arrastando multidões e colorindo a cidade com criatividade e animação. Além dos tradicionais blocos caricatos, o carnaval ouro-pretano mantém viva a força dos desfiles das escolas de samba, que também fazem parte da identidade cultural do município.
Mais do que festa, o Carnaval de Ouro Preto é memória, resistência cultural e celebração da própria história. Entre batuques, fantasias e personagens inesquecíveis, a cidade transforma seu passado em espetáculo e reafirma sua posição de destaque no cenário carnavalesco brasileiro.
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