Estudantes da turma 22.2 do curso de Museologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) inauguraram, na sexta-feira (06/02), a exposição “Santo Amaro de Botafogo: Memória, Fé e Resistência”, resultado de um processo coletivo construído em diálogo direto com a comunidade de Botafogo, distrito de Ouro Preto. A mostra propõe uma reflexão sensível e crítica sobre identidade territorial, religiosidade, pertencimento e as formas de resistência da comunidade diante dos impactos da atividade minerária.
Orientado pela professora Ranielle Menezes de Figueiredo, o projeto integra pesquisa acadêmica, práticas museológicas contemporâneas e escuta ativa dos moradores. A abertura reuniu estudantes, docentes, técnicos administrativos, representantes da comunidade e convidados em um espaço marcado pela troca de experiências e pelo reconhecimento mútuo.
Para a coordenadora do curso de Museologia, Gabriela Gomes, a exposição representa um marco na trajetória do curso. Segundo ela, o trabalho ultrapassa abordagens tradicionais ao incorporar processos de superação, diálogo e luta coletiva. “Essa exposição foi construída em meio a muitos desafios, mas chega para marcar um novo tempo. Com dedicação, respeito e atenção, ela conquistou não apenas o espaço do Departamento de Museologia, mas também da UFOP e, sobretudo, da cidade de Ouro Preto e de seus distritos”, afirmou.
A professora Ranielle destacou que o percurso até a exposição foi atravessado por encontros, deslocamentos e pela construção de uma relação de confiança com a comunidade de Botafogo. “Fomos acolhidos desde o início. Subimos trilhas, conversamos, ouvimos histórias e fomos recebidos de portas abertas. A história de vocês atravessou a nossa, e isso é muito marcante. Tenho muito orgulho dessa turma e do compromisso dos nossos alunos com uma museologia sensível, ética e de qualidade”, ressaltou.
Território, fé e mobilização social
Localizada a cerca de sete quilômetros do Centro Histórico de Ouro Preto, a comunidade de Botafogo tem sua origem vinculada à descoberta do ouro na região. Nos últimos anos, porém, o território tem sido diretamente impactado por atividades minerárias, o que intensificou mobilizações em defesa da memória, do meio ambiente e do modo de vida local. Esse contexto é apresentado na exposição a partir de três eixos centrais: memória, fé e resistência.
Durante a mesa de abertura, o morador e líder comunitário Benito Guimarães destacou a relevância da exposição como ferramenta de visibilidade e reconhecimento. “Nós estamos lutando contra o colonialismo, e isso não é fácil. Estar aqui hoje é motivo de orgulho, porque a Universidade abre espaço para que a nossa voz seja ouvida”, afirmou.
Representando os estudantes, Isabela Bertoche explicou que a escolha do tema foi unânime entre a turma. “Desde o início, todos sentimos que esse era o tema que precisava ser trazido. Tivemos a oportunidade de perceber que o território vai muito além do que é visível. Existe uma grande teia de memórias, construída por pessoas que mantêm um profundo afeto por Botafogo”, destacou.
Arquivo vivo e produção audiovisual
Além de objetos, registros visuais e narrativas orais, a exposição inclui o curta-documentário “Raízes de Botafogo”, produzido pelos estudantes. O filme reúne depoimentos de moradores e de pessoas que mantêm vínculos afetivos com o território, reforçando o caráter participativo e comunitário do projeto.
A visitação à exposição “Santo Amaro de Botafogo: Memória, Fé e Resistência” segue aberta ao público até o dia 27 de fevereiro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, na Sala de Exposições da Escola de Direito, Turismo e Museologia (EDTM). Às terças-feiras, há também visitação noturna, das 17h30 às 20h. A programação inclui ainda oficinas com certificado para horas complementares e coffee break.
Foto: Maria Eduarda de Lima / Divulgação