A Prefeitura de Mariana assinou, na manhã de segunda-feira (19), a ordem de serviço que autoriza o início do restauro emergencial da estrutura da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, conhecida popularmente como Igreja da Confraria. A intervenção marca um passo decisivo para a preservação de um dos mais importantes bens históricos e religiosos do município.
O documento foi firmado em parceria com a Arquidiocese de Mariana, representada pelo padre Geraldo Buziani e pela arquiteta Sandra Fosque, além da ADG Construtora, responsável pela execução da obra, representada por Danilo Vidigal. O investimento total é de R$ 1.874.739,89, com recursos do Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural (FUMPAC), vinculados ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (COMPAT) e à Secretaria de Patrimônio Cultural e Turismo.
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo COMPAT, a Igreja da Confraria é um dos símbolos da religiosidade e da cultura marianense. O templo abriga anualmente a Festa da Bandeira do Divino Espírito Santo, uma das celebrações mais tradicionais da cidade, promovida pela Confraria do Divino Espírito Santo.
Desde 2023, as atividades religiosas precisaram ser transferidas para outros espaços devido aos problemas estruturais do edifício, que levaram à interdição por risco de desabamento. A última festa realizada no interior da igreja ocorreu em 2022. Para o presidente da Confraria, Geraldo Batisteli, a assinatura da ordem de serviço representa a esperança de retorno às tradições. “É muito importante voltar às nossas origens e retomar as celebrações na igreja da Arquiconfraria, o que também significa preservar a nossa identidade cultural”, destacou.
O padre Geraldo Buziani ressaltou que a obra era aguardada com grande expectativa pela comunidade. Segundo ele, o início do restauro simboliza um marco para os fiéis e para a história da cidade. Em 2023, a própria Paróquia Nossa Senhora da Assunção, à qual o templo é vinculado, junto à Confraria do Divino, contratou sondagens do terreno e custeou a atualização do projeto de restauro, com o objetivo de agilizar os trâmites. O projeto foi aprovado pelo IPHAN no final de 2024, possibilitando a liberação dos recursos pelo COMPAT.
Durante o período de interdição, medidas emergenciais foram adotadas para reduzir os riscos à estrutura, como a retirada de parte das telhas da nave principal, devido à ruptura de uma peça estrutural central, e a instalação de escoramentos para evitar o colapso do telhado e o deslocamento das paredes.
O restauro emergencial prevê a estabilização estrutural do edifício, a correção de infiltrações e a recuperação de elementos arquitetônicos e artísticos do imóvel. Na ocasião, o prefeito de Mariana também assumiu o compromisso de buscar novos recursos, inclusive por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para viabilizar os projetos complementares e a restauração integral do templo.
Construída no final do século XVIII pela Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, a Igreja de Nossa Senhora dos Anjos foi destinada, originalmente, a fiéis negros e mestiços devotos de São Francisco de Assis. É a única edificação de Mariana com frontispício quebrado em três planos e possui interior marcado pela simplicidade e pela elegante talha em estilo rococó, características que a tornam um bem singular do patrimônio histórico da cidade.
Foto: Pedro Henrique Hudson / Divulgação