Cinco anos após o início da campanha de vacinação contra a covid-19, Minas Gerais alcança um marco histórico: mais de 53 milhões de doses aplicadas em todo o território estadual. A mobilização, iniciada em 18 de janeiro de 2021, consolidou-se como a maior operação de vacinação já realizada em Minas e teve papel fundamental na redução de casos graves, internações e óbitos provocados pela doença.
O aniversário da campanha remete a um dos períodos mais críticos da história recente. Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública global após a rápida disseminação do novo coronavírus. Quando as primeiras vacinas chegaram ao Brasil, no início de 2021, Minas Gerais já registrava mais de 539 mil casos confirmados e cerca de 13 mil mortes em decorrência da covid-19.
Desde então, a imunização tornou-se a principal estratégia de enfrentamento da doença. Para o subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Eduardo Prosdocimi, a vacinação segue sendo essencial para a proteção da população.
“A vacinação foi o principal legado que permitiu superar a emergência sanitária da pandemia. A covid-19 ainda circula, por isso é fundamental que as pessoas elegíveis procurem as unidades de saúde ou os vacimóveis e mantenham a caderneta atualizada”, destaca.
Prosdocimi ressalta ainda que a experiência da pandemia trouxe aprendizados importantes. “Foram anos marcados por muitas perdas, e a vacina teve papel decisivo na redução dos casos graves e das mortes. Minas Gerais tem investido em inovação e mostrado que é possível recuperar e manter altas coberturas vacinais. Com a covid-19, não deve ser diferente”, afirma.
Vacinação integrada à rotina de saúde
Atualmente, a vacina contra a covid-19 faz parte do calendário de vacinação de rotina em Minas Gerais. A imunização é ofertada para crianças de seis meses a menores de cinco anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes, em qualquer fase da gestação.
Há também a chamada estratégia especial, voltada para grupos mais vulneráveis, como pessoas imunocomprometidas, povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, privadas de liberdade, em situação de rua, com deficiência permanente e residentes em instituições de longa permanência, além de seus trabalhadores.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atualmente três vacinas contra a covid-19: duas de RNA mensageiro, produzidas pela Pfizer e pela Moderna, e uma de proteína recombinante, fabricada pelo Serum Institute of India. Até o momento, Minas Gerais já recebeu mais de 76 milhões de doses enviadas pelo Ministério da Saúde.
Um marco simbólico
A campanha de vacinação em Minas teve início com um momento histórico. A primeira pessoa vacinada no estado foi a técnica de enfermagem Maria Bom Sucesso Pereira, conhecida como Cecé, então com 58 anos, que atuava na linha de frente do atendimento no Hospital Eduardo de Menezes, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em Belo Horizonte.
Cecé recebeu a primeira dose em 18 de janeiro de 2021, no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, logo após a chegada das vacinas ao estado. O gesto simbólico marcou o início da imunização em Minas Gerais e se tornou um dos registros mais emblemáticos da luta contra a pandemia.
“Meu maior medo era contaminar minha família. Quando a vacina chegou e eu fui a primeira a ser vacinada, eu renasci. A partir daquele dia, falar de covid já não me causava medo”, relembra.
Durante o período mais crítico da pandemia, o Hospital Eduardo de Menezes foi referência no atendimento aos casos de covid-19 na rede estadual, com leitos dedicados exclusivamente ao cuidado de pacientes com suspeita ou confirmação da doença. Cinco anos depois, o avanço da vacinação permanece como um dos maiores legados de proteção à saúde da população mineira.
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