Planejamento prévio, investimentos milionários e ampliação da vigilância colocam o estado em cenário mais favorável para enfrentar 2026.
Com planejamento antecipado, reforço da vigilância e ampliação da assistência, Minas Gerais chega ao período sazonal de maior transmissão de arboviroses e doenças respiratórias em uma situação mais favorável do que nos últimos anos. A estrutura da rede pública foi fortalecida e as ações preventivas começaram meses antes do pico esperado de casos, previsto entre fevereiro e abril.
O cenário e as estratégias adotadas foram detalhados nesta quinta-feira (09/01), pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti. Segundo ele, a previsão epidemiológica para 2026 indica que o pico da dengue deve ocorrer em abril, diferentemente de 2025, quando os registros mais elevados foram observados em março.
Diante dessa projeção, o estado iniciou ainda em setembro o repasse de recursos aos municípios, permitindo que as administrações locais se preparassem com antecedência. A estratégia combina investimentos financeiros, mobilização municipal e incorporação de novas tecnologias, com foco em reduzir impactos à população e evitar sobrecarga do sistema de saúde.
Entre os pilares da estratégia, a vacinação segue como prioridade. De acordo com Baccheretti, a cobertura ainda está abaixo do ideal em razão da limitação de doses disponíveis, mas a expectativa é de mudança significativa nos próximos anos, com a ampliação da produção nacional da vacina contra a dengue.
Os resultados das ações preventivas já foram sentidos em 2025. Minas Gerais encerrou o ano com queda expressiva nos casos de arboviroses, registrando 118.858 confirmações de dengue — uma redução de 92% em relação a 2024. Também foram contabilizados 17.803 casos de chikungunya e apenas 26 de zika.
Anualmente, cerca de R$ 210 milhões são destinados ao enfrentamento das arboviroses no estado. Desse total, R$ 23,6 milhões foram aplicados em ações emergenciais e R$ 35,1 milhões repassados a consórcios intermunicipais para o controle do mosquito transmissor. Em dezembro de 2025, outros R$ 47,3 milhões foram liberados para o fortalecimento das equipes de vigilância, descentralização do fumacê, ampliação de exames e uso de tecnologias como drones e ovitrampas para monitoramento do Aedes aegypti.
A mobilização dos municípios também integra o plano de enfrentamento. Em novembro de 2025, o Dia D Minas Unida contra o Aedes envolveu 760 cidades em mutirões de limpeza, ações educativas e orientações diretas à população, com foco na eliminação de criadouros dentro das residências. Um novo Dia D está programado para 28 de fevereiro, reforçando o engajamento antes do pico de transmissão.
Além das arboviroses, o estado intensificou as ações voltadas às doenças respiratórias, com atenção especial à Síndrome Respiratória Aguda Grave. Em 2025, foram registrados 5.010 casos de influenza, com 485 óbitos, e 803 casos de infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR), responsável principalmente por bronquiolite e pneumonia em crianças menores de dois anos.
Para reduzir casos graves e óbitos evitáveis, o estado investe mais de R$ 105 milhões por ano no Plano Mineiro de Imunizações. Entre as medidas está a vacinação contra o VSR em gestantes a partir da 28ª semana de gestação, estratégia que garante a transferência de anticorpos ao bebê ainda durante a gravidez. Até o início de janeiro de 2026, quase 47 mil gestantes já haviam sido imunizadas.
Outra frente importante é o uso do nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para a proteção de lactentes, além da ampliação do acesso a vacinas e imunobiológicos por meio de vacimóveis, com investimento superior a R$ 100 milhões.
Na assistência hospitalar, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais está preparada para ampliar a capacidade de atendimento. O Hospital Infantil João Paulo II poderá abrir novos leitos de UTI pediátrica, enfermaria, consultórios de urgência e Unidades de Decisão Clínica, além do reforço das equipes. Recursos também foram destinados a hospitais do interior para ampliação de leitos de UTI, reduzindo a dependência da capital.
Com planejamento antecipado e ações integradas, Minas Gerais entra em 2026 mais preparada para enfrentar o período de maior circulação de vírus, buscando reduzir casos graves, internações e mortes evitáveis.
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